A Polícia Federal deflagrou, no sábado (29), a Operação Plano de Voo, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre a ameaça de artefato explosivo ocorrida em voo da companhia aérea Azul, que partiu de São Luís/MA com destino a Campinas/SP, em agosto de 2025. O incidente obrigou a aeronave a realizar pouso de emergência no Aeroporto Internacional de Brasília/DF.
Na ação de hoje, foi cumprido um mandado de busca e apreensão em endereço ligado à principal investigada, em Santa Catarina.
A ameaça provocou mobilização de forças de segurança, evacuação de passageiros e inspeção completa da aeronave, configurando, em tese, os crimes de ameaça e atentado contra a segurança de transporte aéreo.
A Polícia Federal reforça que não foram localizados explosivos e que as investigações seguem em sigilo, visando esclarecer todas as circunstâncias do fato e eventuais conexões com condutas similares registradas em outros aeroportos do país.
A Polícia Federal deu um passo para reforçar a capacidade de perícia digital e comprou novas ferramentas capazes de quebrar senhas e acessar dados criptografados em computadores da Apple. O investimento, de R$ 160,4 mil, foi feito pela Diretoria Técnico-Científica (Ditec) e inclui quatro licenças de softwares de criptoanálise voltados especialmente para modelos equipados com o chip T2 — justamente os que vinham causando dificuldades nas investigações.
Segundo estudo interno, a PF não conseguia mais realizar perícias em ao menos 16 modelos da Apple fabricados entre 2018 e 2020, entre eles iMac, Mac Mini, MacBook Air e MacBook Pro. Esses equipamentos usam o chip T2, um co-processador que reforça a segurança do sistema com criptografia avançada, armazenamento protegido e validações de inicialização. Na prática, essa camada extra vinha travando o trabalho dos peritos.
As ferramentas que a PF tinha à disposição eram de 2018 e perderam a validade no ano passado. Agora, com as novas licenças, os laboratórios de Criptoanálise em Brasília e no Paraná voltam a operar com tecnologia atualizada. A previsão é de uso simultâneo em até 20 máquinas, por um período de 60 meses.
A Ditec afirma que a atualização é necessária diante do avanço de tecnologias que dificultam investigações criminais. O órgão espera ampliar a capacidade de quebrar senhas em sistemas Apple e acelerar os exames de informática forense em casos envolvendo criminosos que utilizam esses dispositivos.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Polícia Federal que investigue suspeitas de desvios de emendas enviadas a quatro cidades, incluindo Arari (MA) e Zabelê (PB), onde, como mostrou o GLOBO, os recursos desaparecem nas contas das prefeituras. Na decisão, o magistrado aponta que os fatos noticiados “configuram indícios de possíveis crimes”.
A emenda de Arari foi enviada pelo líder do União Brasil na Câmaara, deputado Pedro Lucas Fernandes (MA). Em nota, o parlamentar afirmou ter cumprido sua atribuição ao enviar os recursos para o município, mas que a execução da verba cabe à prefeitura, “que deve aplicá-los conforme as regras estabelecidas”. “Meu compromisso é assegurar investimentos que melhorem a vida da população, tragam benefícios concretos às comunidades e fortaleçam o desenvolvimento de Arari”, diz Pedro Lucas. Já a emenda de Zabelê foi enviada pela ex-deputada Edna Henrique (Republicanos-PB), que não retornou aos contatos.
No despacho que pede a abertura da investigação, assinado neste domingo (23), Dino afirma que a reportagem do GLOBO descreve “indícios de desvios na aplicação de recursos de emendas parlamentares nos municípios de Arari (MA) e Zabelê (PB)” e determina que a Polícia Federal “adote as providências cabíveis no âmbito de sua competência, promovendo a juntada em inquéritos já instaurados ou procedendo à abertura de novos, se for o caso”.
Em outubro deste ano, O GLOBO viajou até Arari, cidade maranhense de 30 mil habitantes localizada a 170 quilômetros de São Luís, para mostrar que uma emenda de R$ 1,25 milhão para recuperar estradas vicinais tomou outro caminho. Segundo a atual prefeita, Maria Alves Muniz (MDB), o dinheiro sumiu.
— Esse valor simplesmente desapareceu. Não foi para obra nenhuma — afirmou a prefeita na ocasião.
Comprovantes bancários da prefeitura de Arari, obtidos pelo GLOBO, mostram que o valor foi repassado para quatro contas do município, diluindo as cifras com recursos recebidos de outras fontes. A sequência de transferências impossibilitou rastrear para onde foi o dinheiro. Autor da indicação, Pedro Lucas disse, à época, não saber como o recurso foi gasto pela prefeitura. Para ele, é o ex-prefeito Rui Filho, que comandava a cidade quando a emenda foi enviada, quem “precisa prestar contas sobre a aplicação dos recursos”. Questionado pela reportagem, Rui Filho afirmou que a emenda serviu para pagar “obras e serviços”, mas sem especificar quais.
Em Zabelê (PB), município de 2,2 mil habitantes a 317 quilômetros de João Pessoa, a prefeitura anunciou a construção de um novo parque em fevereiro do ano passado. Um vídeo ilustrativo, produzido por um escritório de arquitetura do Recife, mostrava como seria o local, com ciclovia, praça de alimentação, pista de corrida e um amplo espaço para eventos à beira de um lago. Uma emenda de R$ 3 milhões enviada pela então deputada federal Edna Henrique em julho de 2023 garantiria a obra.
Em fevereiro, porém, quando o parque foi prometido à população, já não havia mais dinheiro. Demonstrativos bancários da conta em que o valor havia sido depositado mostravam saldo de apenas R$ 240. Consulta feita pelo GLOBO no sistema do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) em 3 de outubro indicava cifra um pouco maior, de R$ 304,61.
A movimentação financeira expôs o mesmo modus operandi usado em Arari, com o registro de ao menos 30 transferências, em valores que variaram de R$ 20 mil a R$ 500 mil, de setembro de 2023 a janeiro de 2024, para outras contas vinculadas à prefeitura. Assim, os valores da emenda foram misturados a recursos usados para gastos correntes, como pagamento de salários, pequenos serviços e contas de consumo. Na prática, a manobra impediu saber o destino do dinheiro. Questionada sobre onde foi parar a emenda, a equipe da atual prefeita, Jorsamara Neves (PSD), indicou que a reportagem falasse com seu primo, Dalyson Neves (PSDB), antecessor no cargo e de quem ela foi vice-prefeita na gestão passada. Ele também não explicou como utilizou os recursos. Dois anos após o valor ser transferido ao município, não há qualquer sinal do parque. (O Globo)
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (14/11), a Operação Privillegium, com a finalidade de desarticular um esquema delitivo voltado à corrupção de funcionário público e a transferências fraudulentas de eleitores por meio da inserção de dados falsos em sistema da Justiça Eleitoral nas cidades de São Luís/MA e São José de Ribamar/MA.
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral no Maranhão.
A ação tem por objetivo aprofundar investigação policial iniciada após comunicação da Corregedoria-Geral do TRE/MA sobre irregularidades ocorridas em um posto de atendimento em São Luís, onde era realizado o registro de eleitores do interior do Estado no sistema do Tribunal.
A apuração identificou indícios iniciais sobre a existência de negociações efetivadas entre grupos políticos interessados e um ex-funcionário colaborador do TRE/MA, nas quais era combinado o pagamento de valores ao servidor em troca da inserção de documentos e dados possivelmente falsos de eleitores no sistema informatizado da Justiça Eleitoral.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas de informação e associação criminosa.
O deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA) está entre os alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (13) pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A ação ocorre em 15 estados e no Distrito Federal, e investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
Segundo as investigações, há indícios de que o parlamentar maranhense tenha ligação com a inserção de dados falsos em sistemas oficiais do Instituto Nacional do Seguro Social, um dos crimes apurados pela operação. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a ele, em São Luís.
A ofensiva faz parte de um amplo esforço para desarticular uma organização criminosa suspeita de praticar estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Ao todo, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 10 de prisão preventiva e outras medidas cautelares em estados como Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal.
Entre os investigados também está o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, preso preventivamente por suspeita de ter permitido as irregularidades durante sua gestão, iniciada em julho de 2023.
A CGU informou que cidadãos podem colaborar com as investigações por meio da plataforma Fala.BR, canal oficial de denúncias da Ouvidoria-Geral da União (OGU). Denúncias podem ser feitas de forma anônima, selecionando a opção “Operações CGU” e informando o nome da operação e o estado em que foi deflagrada.
A operação, considerada uma das maiores do país no combate a fraudes previdenciárias, expõe o alcance e a gravidade de um esquema que atinge diretamente aposentados e pensionistas — e agora envolve também um parlamentar maranhense no centro das investigações.
Operação cumpre 63 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão preventiva em 15 unidades da federação
Mais enrolado que carretel de linha em dia de ventania
O vice-presidente da CPMI do INSS, deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), acusou o deputado Edson Araújo de ameaçá-lo por mensagens, após a oitiva do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade da qual Araújo é vice-presidente e que é investigada na Operação Sem Desconto. Segundo Duarte, o parlamentar e seus assessores teriam recebido mais de R$ 5 milhões da CBPA, envolvida em no esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
A Operação Carbono Oculto 86, deflagrada nesta quarta-feira (5), interditou mais de 30 postos de combustíveis em três estados — Maranhão, Piauí e Tocantins — revelando um esquema bilionário de lavagem de dinheiro com suposta ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). No Maranhão, os alvos estão localizados em Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras.
Segundo as investigações, os estabelecimentos faziam parte de uma rede que movimentava bilhões de reais por meio de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs, usados para ocultar e legitimar recursos de atividades criminosas.
A operação é coordenada pela Polícia Civil do Piauí, com apoio de órgãos de fiscalização e segurança dos estados envolvidos. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos um avião modelo Cessna e um Porsche avaliado em mais de R$ 550 mil, pertencentes ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio, apontado como peça central no esquema.
De acordo com as autoridades, o grupo teria lavado cerca de R$ 5 bilhões com transações financeiras atípicas entre empresas suspeitas. A ofensiva desta quarta-feira é uma continuação da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, já considerada a maior ação contra o crime organizado da história do país.
Dados da Receita Federal indicam que a rede de 1.200 postos investigada movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheu apenas R$ 90 milhões em impostos — equivalente a 0,17% do faturamento total. Para mascarar os ganhos ilícitos, o grupo teria recorrido a 40 fundos de investimento, com patrimônio superior a R$ 30 bilhões, muitos administrados por operadores da Faria Lima, em São Paulo.
Além do Maranhão, os postos interditados no Piauí estão localizados em Teresina, Picos e Parnaíba, e no Tocantins, em São Miguel do Tocantins, revelando a extensão interestadual do esquema.
A Polícia Federal deflagrou, nesta manhã (4/11), em Cachoeira Grande/MA, operação de combate à fraude na concessão de empréstimos consignados em nome de supostos servidores públicos municipais.
A investigação teve início a partir de ofício encaminhado pela Caixa Econômica Federal, que relatou irregularidades na contratação de empréstimos consignados. No decorrer das apurações, constatou-se que os beneficiários dos créditos não possuíam qualquer vínculo com o serviço público municipal.
Para viabilizar os contratos, foram utilizados documentos falsificados, como portarias de nomeação, contracheques e cartas de margem consignável. Com esses documentos, os envolvidos se passavam por servidores municipais, contratavam os empréstimos e repassavam a maior parte dos valores ao então Secretário de Planejamento do município.
O esquema criminoso causou prejuízo superior a R$ 1 milhão apenas à Caixa Econômica Federal. As investigações continuam com o objetivo de identificar todos os participantes e apurar a totalidade dos danos causados às instituições financeiras e ao erário.
Durante a operação de hoje, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão; 20 ordens de quebra de sigilo bancário; uma prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29/10), a Operação Dupla Face, com o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em face de um indivíduo que mantinha duas identidades distintas e ativas junto ao INSS, recebendo benefícios simultâneos de aposentadoria por idade e por invalidez, hipótese de estelionato majorado contra a Previdência Social .
A investigação revelou a existência de documentos conflitantes e registros duplicados, o que levou à suspeita de fraude sistemática e possível utilização do beneficiário como intermediário em um esquema mais amplo de fraude previdenciária.
O cumprimento da medida teve como objetivo reunir provas e aprofundar as investigações sobre a prática criminosa, prosseguindo-se com o intuito de identificar todos os envolvidos e dimensionar o prejuízo aos cofres públicos.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (28/10), a Operação Laranja Eletrônica 3, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso que atua em Imperatriz/MA no cometimento de fraudes bancárias cibernéticas que resultaram em um prejuízo superior a R$ 100 mil.
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de Imperatriz/MA.
A Polícia Federal prossegue com as investigações para esclarecer todos os fatos e identificar eventuais outros integrantes do esquema criminoso. Os investigados poderão responder pelo crime de furto mediante fraude.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (9), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
De acordo com nota divulgada pela corporação, estão sendo cumpridos 66 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos estados de São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia, além do Distrito Federal.
Segundo a PF, o objetivo é aprofundar as investigações e esclarecer crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa e ocultação de patrimônio.
Entenda o caso
A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela primeira vez em abril deste ano, quando a PF e a CGU revelaram um esquema que teria descontado indevidamente valores de aposentados e pensionistas em todo o país. O golpe envolvia entidades associativas que, sem autorização dos beneficiários, aplicavam mensalidades sobre os benefícios previdenciários.
As estimativas apontam que cerca de R$ 6,3 bilhões tenham sido retirados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. O caso levou à criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) no Congresso Nacional.
Na primeira fase da operação, seis servidores públicos foram afastados de suas funções, e os investigadores identificaram fraudes sistêmicas em cadastros do INSS que permitiam a execução dos descontos sem consentimento dos beneficiários.
Com a nova fase da operação, a PF busca responsabilizar os operadores financeiros e jurídicos do esquema, além de rastrear o destino dos recursos desviados.