PT, PCdoB e PV oficializam Federação ‘Brasil da Esperança’ em torno de Lula

Ex-presidente Lula

Brasil 247 PT, PCdoB e PV registram nesta segunda-feira (18) o estatuto e o programa da Federação formada entre as siglas, denominada de “Brasil da Esperança (FE Brasil)”.

O anúncio foi feito em nota assinada pelos presidentes dos três partidos: Gleisi Hoffmann (PT), Luciana Santos (PCdoB) e José Luís Penna (PV).

“A Assembleia Geral da Federação, órgão máximo de deliberação, será composta por 60 membros, sendo 9 vagas distribuídas igualmente (3 por partido) e 51 distribuídas na proporção dos votos obtidos por cada partido nas eleições para a Câmara dos Deputados de 2018. As deliberações da Assembleia Geral serão tomadas por maioria de três quartos de seus membros. Na composição da Assembleia Geral, cada partido terá de indicar no mínimo 30% de mulheres e no mínimo 20% respeitando o critério étnico-racial. A Comissão Executiva Nacional da Federação terá 18 membros. Os presidentes de cada um dos partidos são membros natos da comissão e as outras 15 vagas seguirão à proporção dos votos obtidos na eleição para a Câmara de 2018. A primeira presidenta da FE Brasil será a deputada Gleisi Hoffmann (PT); a primeira vice-presidenta, Luciana Santos (PCdoB), e o segundo vice, José Luís Penna (PV). O mandato é de um ano, com rodízio entre os presidentes de cada um dos partidos, podendo haver recondução por decisão unânime”, explica o site do PT.

“Comunicado da Federação Brasil da Esperança

Este 18 de abril é um marco histórico na vida política brasileira. Nasce a Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), que se constituiu como expressão da necessidade e do anseio de união das forças populares, democráticas, progressistas para, junto com uma ampla aliança, restaurar a democracia, promover a reconstrução e a transformação do Brasil e garantir vida digna ao povo brasileiro.

Unidade, espírito construtivo e compromisso com o Brasil e o povo brasileiro regeram o trabalho, nos últimos meses, do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV). Estamos ousando, construindo uma ferramenta nova, inovando e renovando a forma de fazer política, apostando na unidade e na convergência em torno de ideais e compromissos elevados com nosso país, que se expressam na Carta Programa de nossa Federação. Valorizamos a democracia interna e construímos um estatuto que estimula a busca pelo consenso.

A FE Brasil surge desafiada por uma grande responsabilidade: atuar como força decisiva para libertar nosso país do desastroso governo da extrema da direita. Tendo em vista essa gigantesca tarefa, a Federação terá que, em torno da liderança da ex-presidente Lula, agregar, reunir e mobilizar amplas forças políticas, sociais, econômicas e culturais para que o povo e a democracia sejam vitoriosos nas eleições de outubro.

Simultaneamente, nossa Federação buscará eleger grandes bancadas progressistas para o Congresso Nacional e as Assembleias Legislativas, bem como um expressivo número de governadores/as, criando as condições para que o governo eleito por essa ampla aliança tenha as condições para promover as mudanças e grandes transformações de que o país necessita.

É com grande alegria e elevado senso de responsabilidade, portanto, que anunciamos o nascimento da FE Brasil, vocacionada a ser um grande instrumento político do povo, das forças democráticas e progressistas. Estamos convictos de que ela cumprirá papel decisivo para trilharmos a vitória eleitoral nas eleições de 2022 e construirmos uma nova maioria que possa devolver a esperança ao nosso povo.

Brasília, 18 de abril de 2022

Gleisi Hoffmann, presidenta do PT

Luciana Santos, presidenta do PCdoB

José Luís Penna, presidente do PV”.

XP/Ipespe: Lula alcança 44%, Bolsonaro 30%

Lula e Bolsonaro. Foto Reprodução

Poder 360 Pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta 4ª feira (6.abr.2022) indica Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como líder das intenções de voto na corrida eleitoral para o Palácio do Planalto, com 44%. O presidente Jair Bolsonaro (PL) é o 2º colocado, com 30% –4 pontos percentuais acima do levantamento anterior, quando marcava 26%.

Eis a íntegra da pesquisa (2 MB). É a 1ª rodada que não apresenta o nome de Sergio Moro (União Brasil), desde que o ex-juiz mudou de partido, sem aval para ser candidato a presidente pela sigla.

O levantamento ouviu 1.000 pessoas de 2 a 5 de abril de 2022, por telefone. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95,5%.

A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o nº BR-03874/2022. Segundo o TSE, o custo do estudo foi de R$ 42.000, valor pago pela XP Investimentos.

Ciro Gomes (PDT) está em 3º lugar, com 9%. Nos levantamentos anteriores, estava empatado tecnicamente com Sergio Moro (União Brasil). Em seguida estão João Doria (PSDB), com 3%, Simone Tebet (MDB), que marca 2%, André Janones (Avante) com 1%. Eymayel (DC), Luiz Felipe D’Ávila (Novo) e Vera Lúcia (PSTU) não pontuam. São 9% os que não votam em nenhum, branco, nulo ou não iriam votar e 3% não sabem ou não responderam.

2º TURNO

Na disputa de 2º turno, Lula tem 52%, contra 25% de Bolsonaro. Nessa simulação, apenas 11% dos eleitores não votariam em um dos 2. O petista vence contra todos os adversários, enquanto Bolsonaro perde de todos e empata tecnicamente com Doria.

Leia os cenários:

LULA 53% x 33% Bolsonaro;
LULA 55% x 25% Doria;
LULA 52% x 25% Ciro;
CIRO 47% x 37% Bolsonaro;
BOLSONARO 39% x 38% DORIA;

Avaliação do Governo

O levantamento também questionou os entrevistados sobre a avaliação do governo. Hoje, 29% dos brasileiros avaliam o governo Bolsonaro como “ótimo” ou “bom”, 15% como “regular” e 54% como “ruim” ou “péssimo”. Há 63% que desaprovam a forma como o presidente governa, contra 33% que aprovam.

Ipespe: Lula tem 43% e Bolsonaro, 28%; Ciro e Moro aparecem com 8%

Foto Divulgação

CNN A nova pesquisa Ipespe para as eleições presidenciais de 2022, divulgada nesta sexta-feira (11), traz o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente, com 43% das intenções de voto, sendo seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), com 28%. Depois, aparecem os candidatos Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos), com 8% das menções cada.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), figura com 3% das intenções de voto. Já Simone Tebet (MDB) registrou 1%, mesmo percentual de Eduardo Leite (PSDB) e André Janones (Avante). Felipe d’Avila (Novo) foi citado, mas não chegou a 1% das menções, enquanto Alessandro Vieira (Cidadania) foi testado, mas não mencionado por nenhum respondente.

Além disso, 7% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco/nulo, não escolheriam nenhum dos citados ou não votariam. Outros 2% não sabem ou não quiseram responder.

Esta edição da pesquisa Ipespe não trouxe o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que desistiu de sua pré-candidatura, conforme anunciado por ele próprio na quarta-feira (9). O nome de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, apareceu pela segunda vez, já que ele ainda conversa sobre a possibilidade de sair do PSDB e ser o novo pré-candidato do PSD.

Primeiro turno
Intenção de voto estimulada para presidente

Lula (PT) – 43%
Jair Bolsonaro (PL) – 28%
Ciro Gomes (PDT) – 8%
Sergio Moro (Podemos) – 8%
João Doria (PSDB) – 3%
Simone Tebet (MDB) – 1%
Eduardo Leite (PSDB) – 1%
André Janones (Avante) – 1%
Felipe d’Avila (Novo) – 0%
Alessandro Vieira (Cidadania) – 0%
Branco/nulo/não vai votar/nenhum – 7%
Indecisos/não respondeu – 2%
Intenção de voto espontânea para presidente*

Lula (PT) – 36%
Jair Bolsonaro (PL) – 26%
Sergio Moro (Podemos) – 5%
Ciro Gomes (PDT) – 4%
João Doria (PSDB) – 1%
Guilherme Boulos (PSOL) – 0%
Felipe d’Avila (Novo) – 0%
Branco/nulo/nenhum – 4%
Indecisos/não respondeu – 24%
*Guilherme Boulos e Felipe d’Avila foram citados, mas não chegaram a 1% de citações

Segundo turno
A Ipespe apresentou nove cenários de segundo turno. Veja:

Cenário 1

Lula (PT) – 53%
Jair Bolsonaro (PL) – 33%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 14%
Cenário 2

Lula (PT) – 51%
Sergio Moro (Podemos) – 30%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 19%
Cenário 3

Lula (PT) – 55%
Eduardo Leite (PSDB) – 17%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 29%
Cenário 4

Lula (PT) – 53%
João Doria (PSDB) – 18%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 29%
Cenário 5

Lula (PT) – 50%
Ciro Gomes (PDT) – 25%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 26%
Cenário 6

Ciro Gomes (PDT) – 47%
Jair Bolsonaro (PL) – 36%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 17%
Cenário 7

João Doria (PSDB) – 38%
Jair Bolsonaro (PL) – 37%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 25%
Cenário 8

Sergio Moro (Podemos) – 33%
Jair Bolsonaro (PL) – 33%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 34%
Cenário 9

Jair Bolsonaro (PL) – 40%
Eduardo Leite (PSDB) – 35%
Branco/nulo/não vai votar/indecisos – 26%
Metodologia
Esta edição da pesquisa Ipespe foi realizada por telefone com 1.000 entrevistados entre os dias 7 e 9 de março de 2022, com pessoas de 16 anos ou mais de todas as regiões do país.

A margem de erro máxima estipulada é de 3.2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95,5%. Ou seja, se 100 pesquisas fossem realizadas, ao menos 95 apresentariam os mesmos resultados dentro desta margem.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03573/2022.

Eleições: quais são as ‘armas’ dos pré-candidatos à Presidência em 2022?

Lula X Bolsonaro

Leandro Prazeres
Da BBC News Brasil em Brasília

As eleições presidenciais no país estão previstas para outubro do ano que vem, mas os principais pré-candidatos e pré-candidatas já começaram a fazer seus primeiros movimentos de olho na disputa em 2022. Com histórias, perfis e estratégias diferentes, cada um deles tem um conjunto de “armas” que deverá ser usado ao longo do período eleitoral.

A BBC News Brasil ouviu os cientistas políticos Sérgio Abranches e Nara Pavão sobre quais são as maiores “armas” ou trunfos que os principais pré-candidatos à Presidência da República deverão usar nas eleições do ano que vem.

Além de cientista político, Abranches é sociólogo e escritor. Ele é o autor do conceito de “presidencialismo de coalizão” aplicado à realidade brasileira. Nara Pavão, por sua vez, é doutora em Ciência Política pela Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos e professora assistente na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Os nomes dos pré-candidatos foram escolhidos com base nos levantamentos mais recentes de duas das principais pesquisas de intenção de voto do país: Datafolha e Ipec, instituto formado por ex-executivos do Ibope.

Apenas nomes que pontuaram em pelo menos um dos cenários pesquisados pelos dois institutos foram considerados nesta reportagem.

Dessa forma, os pré-candidatos escolhidos foram: o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro (Podemos), o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), o governador de São Paulo João Doria (PSDB) e a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

Confira, agora, quais as principais “armas” de cada um.

Lula

Ex-presidente Lula

O ex-presidente Lula aparece na liderança das principais pesquisas de intenção de voto feitas até o momento. Segundo Ipec e Datafolha, o petista oscila entre 47% e 49% das intenções de voto, o que seria suficiente, nos dois cenários pesquisados pelos institutos, para a sua vitória no primeiro turno.

Para Sergio Abranches e Nara Pavão, as principais “armas” de Lula na disputa deste ano são: memória sobre o seu governo, favoritismo nas pesquisas, queda da corrupção como principal preocupação do eleitorado, capacidade de negociação e baixa rejeição.

A “memória”, segundo Abranches e Nara Pavão, se refere à lembrança que parte dos eleitores teria em relação aos oito anos em que Lula presidiu ao país, entre 2003 e 2011.

No campo econômico, o período foi marcado por crescimento econômico e redução das taxas de desemprego e da pobreza.

Ele tem um recall de um governo muito ajudado pela conjuntura econômica internacional e pelo boom de commodities, mas também pelos programas sociais que geraram um sentimento de bem-estar econômico, que a gente chama de efeito riqueza. Houve uma mudança do patamar de consumo das classes D e E e essa memória dos tempos bons é importante e forte. É um trunfo importante”, afirma Abranches.

Nara Pavão, que estuda o efeito da corrupção na escolha do eleitorado, explica que a mudança no eixo das preocupações da população, segundo as pesquisas, indica um outro trunfo do ex-presidente.

Em novembro de 2015, por exemplo, quando a Operação Lava Jato estava a todo vapor, a corrupção era vista como o maior problema da população no país. Em segundo lugar estava a saúde e, em terceiro o desemprego.

A nova pesquisa do Datafolha divulgada na segunda quinzena de dezembro deste ano mostra que a corrupção está em sétimo lugar como maior problema do país. Nos primeiros lugares estão: saúde (1º), desemprego (2º) e economia (3º).

Lula foi alvo da Operação Lava Jato e foi preso após ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo agora ex-juiz federal Sergio Moro no caso do apartamento tríplex, no Guarujá.

Neste ano, suas condenações foram anuladas e Moro foi considerado parcial em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nara Pavão avalia que os desdobramentos da Lava Jato e a crise econômica pela qual o país vem passando ajudaram a mudar a percepção sobre os problemas do país pela população. Segundo ela, essa mudança pode beneficiar Lula.

“O ambiente político mudou. Para a maioria das pessoas, a corrupção não é mais um problema tão urgente. Ela deu lugar a outras preocupações como saúde, desemprego, inflação. E esses são temas com os quais a população associa a imagem de Lula como alguém capaz de resolvê-los“, afirmou a pesquisadora.

Jair Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro

De acordo com as pesquisas mais recentes do Datafolha e do Ipec, Bolsonaro aparece consolidado na segunda posição para as eleições de 2022. Nas duas, Bolsonaro aparece com 22% e 21% das intenções de voto dependendo do cenário.

Na avaliação dos dois cientistas políticos, as principais “armas” de Bolsonaro são: carisma, ser o presidente em exercício e a identificação com o eleitorado conservador.

Apesar de ter visto sua popularidade cair desde que assumiu a presidência, Bolsonaro ainda é visto como um líder carismático pela cientista política Nara Pavão.

“Bolsonaro é um líder carismático. Pode não ser para a população como um todo, mas ele tem o apoio de algo como um quarto do eleitorado. Não é pouca coisa. É uma base que tem uma identificação muito forte com ele. Existe, sim, esse fenômeno chamado bolsonarismo e ele deverá usar isso nas eleições“, avalia a professora.

Para Sergio Abranches, a principal vantagem de Bolsonaro sobre os outros candidatos é o fato de estar no comando da máquina pública.

Ele diz que nessa condição, o presidente tem acesso a recursos que poderiam turbinar a sua candidatura como verbas para obras e programas sociais como o recente Auxílio Brasil, criado sob a sua gestão para substituir o Bolsa Família, que havia sido criado durante o governo do ex-presidente Lula.

O seu maior ativo para as eleições do ano que vem é o fato de ele ter a chave do cofre e a possibilidade de mobilizar o governo pela sua reeleição. São recursos que poderão ser distribuídos a aliados em todo o Brasil. Isso tem um certo peso”, afirma Abranches.

Nara e Abranches avaliam que Bolsonaro também deverá utilizar sua identificação com o eleitorado conservador como forma de aumentar a rejeição a candidatos como Lula.

Desde sua eleição, Bolsonaro recebeu o apoio de diversas lideranças evangélicas e conservadoras como o pastor Silas Malafaia. Recentemente, ele conseguiu emplacar a indicação de André Mendonça como ministro do STF.

Ao indicar Mendonça, Bolsonaro dizia que a vaga seria preenchida por um integrante “terrivelmente evangélico”.

“Bolsonaro vai tentar ativar essa base conservadora que, até agora, vem lhe dando algum suporte. É possível, entretanto, que essa base se divida entre os outros pré-candidatos, mas é um algo que ele deverá fazer e que não pode ser ignorado”, afirmou Nara Pavão.

Sergio Abranches diz que Bolsonaro também tentará usar como trunfo a reativação do “antipetismo”, uma das principais forças políticas nas eleições de 2016 e 2018.

A reativação desse sentimento será uma tentativa de aumentar a rejeição a Lula, que hoje está baixa. Esse movimento deverá ficar ainda mais evidente caso ele vá para o segundo turno contra Lula“, afirmou Abranches.

Sergio Moro

Sergio Moro

O ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro se filiou ao Podemos em novembro deste ano.

Apesar de não ter se lançado oficialmente à disputa presidencial, Moro tem dado entrevistas sobre o assunto desde então.

Para o Ipec e Datafolha, Moro aparece tecnicamente empatado com Ciro Gomes na terceira posição, oscilando entre 6% e 9% das intenções de voto, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Na opinião de Abranches e Nara Pavão, os três principais trunfos de Moro serão: o discurso contra a corrupção, a imagem de alguém fora da “velha política” e o apelo ao eleitorado mais conservador.

O principal trunfo de Moro, se não for o único, é o discurso anticorrupção. É nessa tecla que ele irá bater ao longo de toda a campanha. Se ele ficar nessa estratégia, apenas, poderá tirar alguns votos de Bolsonaro, mas é difícil saber se isso dará resultado porque os temas considerados importantes em uma eleição são muito cíclicos”, afirmou Abranches.

“Moro tentará surfar na onda anticorrupção ancorado em sua imagem de ex-juiz e que ainda está muito associada à Lava Jato. Ela (a operação) foi a maior campanha anticorrupção da história e ele usará essa imagem em seu favor“, disse Nara Pavão.

A pesquisadora afirma, também, que Moro deverá explorar a ideia de que é um agente “fora da política” e conservador durante as eleições.

Outro trunfo que ele deverá usar é o discurso da antipolítica e de ser alguém conservador. Ele já deu declarações sobre não ser da política como uma vantagem. E ele também já se declarou conservador em algumas ocasiões. Ele poderá ativar essas duas imagens ao longo da campanha para aumentar sua base eleitoral”, diz a pesquisadora.

Ciro Gomes

Ciro Gomes

Ciro Gomes é ex-governador do Ceará e foi ministro da Fazenda durante o governo do ex-presidente Itamar Franco e da Integração Nacional durante o governo do ex-presidente Lula.

Em 2018, ele ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais, com 12,47% dos votos.

Atualmente, ele aparece tecnicamente empatado com Sergio Moro nas pesquisas do Datafolha e do Ipec com intenções de voto que oscilam entre 5% e 7%, considerando a margem de erro.

Os cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que os principais trunfos de Ciro para a eleição deste ano são: já ser conhecido e ter um eleitorado cativo e a imagem de alguém competente na área econômica.

O Ciro tem um eleitorado fiel e isso é bom para uma largada eleitoral. Eu diria que, quando a hora da campanha chegar, ele deverá ter em torno de 10% ou 12% das intenções de voto. Ele pega os votos da esquerda não lulista e não petista. Além disso, ele já é bem conhecido e vem se colocando como uma alternativa a Bolsonaro e a Lula”, afirma Abranches.

Para Nara Pavão, outra arma a ser usada por Ciro ao longo da campanha será a imagem de alguém combativo, forte e competente na área econômica.

Ciro tem uma imagem combativa e ele é muito conhecido. Isso facilita e dá uma vantagem em relação a outros candidatos. Ele é visto como uma pessoa boa na gestão de assuntos econômicos e que seria capaz de entregar resultados nessa área que, segundo as pesquisas, se tornou uma das principais preocupações do eleitorado”, explica a professora.

João Doria

João Doria

Em 2016, o então empresário e apresentador de TV João Doria venceu a primeira disputa eleitoral da qual participou e virou prefeito de São Paulo.

Desde então, ele venceu as eleições para o governo de São Paulo e se apresenta como pré-candidato do PSDB à eleições presidenciais do ano que vem.

O caminho, no entanto, não foi fácil. Ele teve que superar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em um turbulento processo de prévias realizado pelo partido.

Nas pesquisas, Doria oscila entre 2% e 4% das intenções de voto.

Abranches e Nara Pavão pontuam que os maiores trunfos de Doria nas eleições de 2022 são: a condução da crise gerada pela pandemia de Covid-19, o fato de ser pouco conhecido fora de São Paulo e o bom trânsito que ele tem entre atores do mercado.

O grande trunfo de Doria foi a postura dele na pandemia. Além de ele ter investido na CoronaVac, ele se portou muito bem durante as entrevistas coletivas e, de alguma forma, se colocou como oposição direta ao Bolsonaro. Isso pode atrair votos de conservadores que não concordaram com a condução do presidente durante essa crise”, afirmou Abranches.

O cientista político enfatiza, também, o fato de Doria ser pouco conhecido fora do Brasil. Segundo ele, em vez de isso ser uma desvantagem imediata, isso pode ser algo bom.

“Como ele é pouco conhecido, isso significa que ele tem um caminho vasto para explorar ao longo de uma campanha”, afirmou.

Nara Pavão salienta o bom trânsito que o tucano teria junto ao mercado e o fato de ser governador do Estado mais rico da federação serão trunfos de Doria.

Governar São Paulo é uma vantagem porque o Estado é uma grande vitrine. Somado a isso, ele transita bem entre alguns setores do mercado e isso fortalece a imagem pública de alguém que pode resolver problemas como a geração de emprego e crescimento econômico“, explica a professora.

Simone Tebet

Simone Tebet

Simone Tebet é senadora, ex-prefeita de Três Lagoas (MS) e ex-deputada estadual. No início de dezembro, ela se lançou como pré-candidata à Presidência da República pelo MDB. Ela é considerada um dos nomes da chamada “terceira via”, termo que vem sendo usado para designar candidaturas alternativas a Bolsonaro ou a Lula.

Nas pesquisas do Datafolha e do Ipec, Tebet aparece com 1% das intenções de voto, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Nara Pavão e Sergio Abranches avaliam que o principal ativo de Tebet em uma eventual disputa presidencial está no fato de ela ser a única mulher entre todos os pré-candidatos. Além disso, eles destacam sua performance na CPI da Pandemia e o bom trânsito que ela teria junto a setores do agronegócio.

Ela tem vantagem de ser mulher em um país com maioria feminina. Com a emergência das pautas identitárias, isso pode ser um ponto forte para ela, sobretudo entre as mulheres mais novas”, explica Sergio Abranches.

Nara Pavão destaca a participação de Simone durante a CPI da Pandemia, quando liderou informalmente um grupo de parlamentares mulheres durante os trabalhos da comissão, e a possibilidade de se consolidar como um nome para a “terceira via”.

Ela se destacou bastante durante a CPI e isso ajudou a construir uma imagem de competência e de oposição à atuação do governo durante a pandemia. Somado a isso, temos, tem o fato de ela ser a única mulher e isso pode ajudá-la a se diferenciar de todos os outros e se apresentar como um nome viável para a chamada terceira via”, explica.

PSB: ALCKMIN VAI PELO BRASIL E BRANDÃO VAI PELO MARANHÃO

Foto Reprodução

O ex-governador Geraldo Alckmin saiu nesta quarta-feira (15) do PSDB – do qual foi um dos fundadores, há 33 anos. Em uma rede social, Alckmin disse que “é tempo de mudança” e que chegou a “hora de traçar um novo caminho”. Ele governou São Paulo quatro vezes. Em 2006 e 2018, foi candidato à Presidência da República.

Na movimentação dos partidos para a eleição do ano que vem, a filiação de Geraldo Alckmin ao PSB é considerada quase certa, e ele próprio admitiu a possibilidade de ser candidato a vice-presidente na chapa de Lula, do PT.

A dobradinha PT e PSB tem reflexo direto na política do Maranhão. O governador Flávio Dino, trabalha para filiar o seu candidato ao Palácio dos Leões, Carlos Brandão, no PSB. Atualmente, o vice-governador está filiado ao PSDB.

A se confirmar a filiação de Brandão ao PSB, o partido deverá abrir espaço para ter um petista como candidato a vice na chapa. O favorito é o atual secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão.

Do Blog do Domingos Costa

LULA LÁ já amplia vantagem no 2º turno

Lula e Bolsonaro. Foto Reprodução

Pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta terça-feira 17 indica a continuidade da tendência de crescimento das intenções de voto no ex-presidente Lula para as eleições de 2022.

No 1º cenário considerado, o petista tem 40% das intenções de voto no 1º turno (eram 38% na pesquisa anterior), enquanto Jair Bolsonaro marca 24% (eram 26%). Trata-se da 5ª pesquisa em que Lula manifesta a tendência de alta – em março, ele registrava 25%. Aparecem na sequência Ciro Gomes, do PDT (10%), Sergio Moro (9%), Luiz Henrique Mandetta, do DEM (4%), e Eduardo Leite, do PSDB (4%).

Em cenário alternativo, Lula tem 37%, seguido por Bolsonaro, com 28%, e Ciro Gomes, com 11%. Nesta projeção, João Doria, do PSDB, marca 5%, mesmo resultado de José Luiz Datena, do PSL. Rodrigo Pacheco, do DEM, soma 1%.

No principal cenário de 2º turno, Lula amplia a vantagem sobre Bolsonaro. O petista registra 51%, ante 32% do atual ocupante do Palácio do Planalto. Na rodada anterior, a vantagem era de 49% a 35%.

Lula venceria ainda qualquer outro adversário no 2º turno: contra Moro, ganharia por 49% a 34%; contra Ciro, por 49% a 31%; e contra Eduardo Leite, por 51% a 27%.

Ciro Gomes também derrotaria Bolsonaro no 2º turno (44% a 32%). Sergio Moro (36% a 30%), João Doria (37% a 35%), Mandetta (38% a 34%) e Eduardo Leite (35% a 33%) aparecem numericamente à frente de Bolsonaro, mas em empate técnico, já que a margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

61% disseram que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum, ante 45% que mencionaram Lula.

A pesquisa XP/Ipespe colheu 1.000 entrevistas, de abrangência nacional, de 11 a 14 de agosto.

CARTA CAPITAL

Morre o publicitário ex-marqueteiro do PT, Duda mendonça

Duda Mendonça

Faleceu hoje (16) em São Paulo, aos 77 anos, o publicitário e ex-marqueteiro do PT, Duda Mendonça. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o mês junho e se tratava de um câncer no cérebro, quando foi diagnosticado com Covid-19. Ele foi intubado e não resistiu às complicações da doença.

Duda ficou bastante conhecido na primeira campanha que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva, Lula à Presidência da República, em 2002.

O publicitário também ajudou a eleger de Paulo Maluf (PP), em São Paulo; Miguel Arraes, em Pernambuco; Ciro Gomes (PDT), no Ceará, e do ex-primeiro-ministro de Portugal, Pedro Santana Lopes.

Nova pesquisa confirma liderança de Lula que venceria Bolsonaro com 45%

Bolsonaro e Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 45% das intenções de voto contra 37% do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um eventual segundo turno na disputa pela presidência do Brasil, caso as eleições fossem hoje. O petista ampliou a vantagem desde a última sondagem, realizada há um mês, e consolidou o favoritismo ao Palácio do Planalto.

A pesquisa é a primeira após Lula confirmar, em entrevista a uma revista francesa publicada nesta semana, que será candidato em 2022.”Serei candidato contra Bolsonaro”, disse ele. O petista ainda complementou: “Se estiver na melhor posição para ganhar as eleições e estiver com boa saúde, sim, não hesitarei”.

Foto Divulgação

Os dados são da mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, projeto que une Exame Invest Pro, braço de análise de investimentos da EXAME, e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. O levantamento ouviu 1.200 pessoas entre os dias 19 e 20 de maio. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. Confira a pesquisa completa.

De EXAME

Lula, Haddad e Dino moveram as peças do tabuleiro político

Dino ao lado de Haddad

Por Leonardo Attuch No último sábado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o ex-prefeito Fernando Haddad para uma conversa reservada e disse a ele que não é mais possível aguardar uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro e a devolução de seus direitos políticos. A despeito das provas incontestáveis de que Moro orientou a acusação e, portanto, fraudou o processo penal, a decisão está nas mãos de um Supremo Tribunal Federal que foi cúmplice do golpe de 2016 e, portanto, do processo que destruiu a democracia brasileira com o afastamento irregular da ex-presidente Dilma Rousseff, a prisão política de Lula e as fraudes eleitorais contra Haddad, numa campanha marcada por fake news e vazamentos seletivos de delações, como a de Antônio Palocci.

Como o tempo escorre pelas mãos e Bolsonaro se mantém em campanha permanente, a avaliação pragmática é a de que chegou a hora de “colocar o bloco na rua”. Isso significa que Haddad viajará pelo Brasil como pré-candidato à presidência da República. Da mesma forma, Lula também fará o mesmo, para que ambos participem do debate público nos espaços de mídia ainda disponíveis. Caso o STF cumpra seu dever institucional e decida restaurar o estado de direito no Brasil e a vigência da própria Constituição Federal, o quadro será reavaliado e a candidatura presidencial de Lula passará a ter prioridade.

No dia de ontem, tive a oportunidade de entrevistar dois protagonistas da construção deste projeto popular contra a ameaça de destruição nacional representada pelo bolsonarismo. À noite, o próprio Haddad me confirmou, em entrevista à TV 247, que aceitou a convocação feita por Lula. Disse que não é mais possível esperar e deixou claro que, caso o STF cumpra seu dever, apoiará o ex-presidente Lula. De manhã, entrevistei o governador maranhense Flávio Dino, que também me confirmou que não será obstáculo à construção da unidade popular e democrática. Dino afirmou que retira seu nome da disputa assim que forem devolvidos os direitos de Lula, mas ele certamente manterá diálogo aberto com Haddad para que ambos articulem uma frente democrática e popular. Uma frente que necessitará também do Psol e de outras forças.

O movimento destas três peças fundamentais, Lula, Dino e Haddad, ocorre num momento de esfacelamento da direita tradicional, que se autoproclama como “centro”, mas que começa a se tornar cada vez mais parecida com a velha Arena, partido que deu sustentação ao regime militar. Com o enfraquecimento dos projetos alternativos da direita, o cenário de 2022 tende a repetir o de 2018, com uma polarização entre o fascismo destrutivo e genocida que está no poder e uma social-democracia comprometida com o desenvolvimento e com direitos civis e sociais. Não é e nunca foi uma escolha muito difícil.

Confira, abaixo, as entrevistas de Dino e Haddad à TV 247: