Derrite altera marco legal de combate ao crime organizado; governo e oposição divergem

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O relator do projeto que cria o marco legal do combate ao crime organizado (PL 5582/25), deputado Guilherme Derrite (PL-SP), apresentou um novo relatório que trouxe mudanças significativas ao texto original. Entre as alterações, Derrite retirou da Lei Antiterrorismo os tipos penais que poderiam classificar integrantes de facções criminosas como terroristas, mantendo, no entanto, as competências da Polícia Federal no enfrentamento dessas organizações.

Vitória da racionalidade, segundo o governo

Para o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), as modificações representam um avanço. “O recuo é uma vitória importante. Estava certo o ministro Lewandowski, que defendia um novo tipo penal. Eles voltaram ao conteúdo original do texto proposto pelo Executivo”, afirmou. Farias destacou que o PT e o governo devem apoiar o projeto caso as alterações sejam mantidas no Plenário.

Críticas da oposição

Do lado da oposição, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou o governo e defendeu que o crime organizado seja equiparado ao crime de terrorismo. “Se o governo quer cantar vitória nessa pauta, nós não abriremos mão de colocar os criminosos como terroristas”, disse. Cavalcante argumentou ainda que o Brasil carece de cooperação internacional para enfrentar adequadamente o crime organizado.

O novo relatório de Derrite coloca o projeto em uma posição intermediária, buscando equilibrar o combate às facções criminosas com a preservação das regras atuais da Lei Antiterrorismo, mas as divergências entre governo e oposição prometem marcar os debates no Plenário.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Ministro elogia transformação em Pedrinhas após STJ federalizar investigação sobre mortes

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A 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu federalizar as investigações relacionadas a seis homicídios e um desaparecimento ocorridos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, entre 2013 e 2014. O pedido foi apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) diante da ineficácia das apurações conduzidas no âmbito estadual.

O relator do caso, ministro Rogerio Schietti, foi categórico ao afirmar que houve “inaptidão do sistema estadual para assegurar o direito à verdade e à Justiça”, destacando a lentidão, a superficialidade e até o arquivamento prematuro de procedimentos investigativos. Segundo ele, a omissão do Estado brasileiro expõe o país ao risco de responsabilização internacional por violações de direitos humanos.

Os episódios de violência em Pedrinhas ganharam repercussão mundial à época, após rebeliões que deixaram 60 detentos mortos e cenas de extrema brutalidade tomarem a imprensa internacional — com registros de decapitações, esquartejamentos e denúncias de condições degradantes impostas aos presos. A crise levou o Brasil a ser denunciado à Corte Interamericana de Direitos Humanos, que estabeleceu medidas cautelares para conter as violações no sistema carcerário maranhense.

A negligência resultou ainda na condenação do Estado do Maranhão ao pagamento de indenizações de R$ 100 mil às famílias de cada detento morto, além de R$ 400 mil por danos morais coletivos.

Elogios ao novo cenário em Pedrinhas

Durante o julgamento, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca – maranhense – chamou atenção para a evolução do sistema prisional do estado, afirmando que o cenário atual é “controlado e responsável”. O ministro Carlos Brandão, que visitou recentemente o presídio, reforçou o depoimento e surpreendeu ao declarar que Pedrinhas “hoje é, provavelmente, uma das melhores prisões do Brasil”, graças à reestruturação implementada nos últimos anos.

Apesar dos elogios, o ministro Schietti ponderou que, embora Pedrinhas tenha mudado de realidade, o sistema penitenciário brasileiro como um todo ainda está longe do ideal:

“Hoje a realidade em Pedrinhas é bem diferente, mas precisamos reconhecer que o nosso sistema penitenciário está ainda anos-luz de um nível aceitável de compatibilidade com o que seria o estado de coisas constitucional.”

Sistema de dados de segurança pública foi usado ilegalmente para acessar dados de Moraes e de delegados da PF

Ministro Alexandre de Moraes

O Infoseg, um sistema público sigiloso que reúne informações de órgãos de segurança pública de todo o País, foi usado de forma irregular para obtenção de dados do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de delegados de polícia e de um empresário, com o objetivo de divulgar as informações na internet e constranger as vítimas dos vazamentos.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 11, pela jornalista Letícia Casado, do site UOL. Na reportagem ela traz detalhes da operação ilegal, que pode ter tido participação direta de agentes públicos (como policiais militares e civis de diferentes estados, agentes da Polícia Federal, do Ministério Público e até mesmo um juiz) e de hackers.

A investigação sobre o caso culminou, segundo a reportagem, na suspensão da rede social X (antigo Twitter), de propriedade de Elon Musk. A decisão de Alexandre de Moraes no último dia 30 de agosto foi referendada na sequência pela Primeira Turma do STF. Os dados de Moraes estão entre os mais visados. Houve acessos em nome de servidores de diferentes regiões do País em busca de informações pessoais do ministro.

A investigação demonstrou a participação criminosa e organizada de inúmeras pessoas para ameaçar e coagir delegados federais que atuam ou atuaram nos procedimentos investigatórios contra milicias digitais e a tentativa de golpe de Estado. As redes sociais — em especial a ‘X’ — passaram a ser instrumentalizadas com a exposição de dados pessoais, fotografias, ameaças e coações dos policiais e de seus familiares”, destacou Moraes na sentença que bloqueou a rede social de Elon Musk, em trecho citado pela reportagem do UOL.

Os investigadores avançaram após relato de ameaça do delegado Fábio Shor, que atua em inquéritos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. Foram identificados acessos de 25 agentes públicos ao Infoseg para obtenção ilegal de dados. Não há certeza, por enquanto, se foram os próprios servidores ou se eles foram vítimas de hackers que roubaram dados de acesso ao sistema.

A PF identificou, em março deste ano, uma articulação via redes sociais batizada de “Exposed” (termo usado para citar exposição de dados de determinada pessoa na internet). Entre os envolvidos estava o bolsonarista Allan dos Santos, que está foragido. Os alvos, no caso, eram agentes que cumpriam ordens despachadas pelo gabinete de Moraes no Supremo.

Fonte: Carta Capital

Com menor efetivo do país, Maranhão precisa de mais de 4 mil soldados da PM

Policiais militares fazendo abordagens em São Luís

O Estado do Maranhão, segundo dados do IBGE (confira abaixo), tem o menor efetivo de Policiais Militares proporcional ao número de habitantes do Brasil. Enquanto o Governo ignora esses número a criminalidade não para de crescer em todo o Estado que precisa de no mínimo 5 mil novos policiais nas ruas.

Mais de 1.700 candidatos foram aprovados no último concurso realizado pela PMMA em 2017  e nunca foram nomeados. A validade do certame foi prorrogada até 2022.

Atualmente a Polícia Militar do Maranhão soma 4.216 cargos vagos de Soldado portanto a nomeação dos 1.750 aprovados ajudaria a diminuir as vacâncias no órgão. Confira no documento: Vacância da PMMA

De acordo com o órgão, a precariedade da segurança pública no estado é justificada pelo número reduzido de policiais.

Veja o efetivo por Estado e número de habitantes.

ESTADO/EFETIVO/HABITANTES
Maranhão – 8.400 / 816
Piauí – 4.015 / 796
Ceará – 16.245 / 544
Paraíba – 15.000 / 538
Bahia – 30.000 / 504
Alagoas – 7.000/ 474
Pernambuco – 20.155 / 460
Rio Grande do Norte – 8.800 / 387