Pais de crianças autistas acionam MP e Procon contra Humana por rotatividade de terapeutas

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A Clínica CIN do plano de saúde Humana, localizada no bairro do Turu, tornou-se o epicentro de uma série de denúncias formalizadas por mães de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A unidade, que passou a ocupar o prédio anteriormente pertencente à Clínica Acolher, absorveu a demanda.

No entanto, o que deveria ser uma transição de atendimento transformou-se em um cenário de incertezas e retrocessos terapêuticos. O relato das famílias aponta para uma gestão que prioriza a logística interna em detrimento da saúde emocional dos pacientes, expondo as crianças a uma rotatividade frenética de profissionais.

As mães denunciam que o remanejamento constante de terapeutas impede a formação de vínculos, fazendo com que as crianças tenham contato com novos rostos quase diariamente. No universo do autismo, essa instabilidade não é apenas um contratempo administrativo, mas um gatilho para crises e estagnação no desenvolvimento. A decisão da Humana Saúde de verticalizar o serviço, criando uma estrutura própria para absorver o crescimento da demanda, tem entregado um ambiente de insegurança que colide frontalmente com as necessidades básicas desses pacientes.

Cientificamente, a previsibilidade é um dos pilares do tratamento para o TEA. A literatura médica e psicológica é unânime ao afirmar que a manutenção de rotinas e o vínculo terapêutico estável são fundamentais para a regulação emocional. Quando uma criança autista é submetida a trocas constantes de terapeutas, ocorre uma quebra de confiança que pode gerar quadros severos de ansiedade, irritabilidade e até a perda de habilidades já adquiridas. A ciência explica que a dificuldade de processamento sensorial e social torna a mudança brusca um evento estressor de alta intensidade, o que classifica a atual gestão da Clínica CIN como um ambiente de instabilidade fatal para o progresso terapêutico.

A situação na unidade do Turu reflete uma face perversa do mercado de saúde suplementar, onde a eficiência de custos parece sobrepor-se ao bem-estar do beneficiário. Ao ignorar o impacto psicológico da rotatividade de pessoal, a clínica e a operadora ignoram também os protocolos científicos que regem as terapias especializadas. Enquanto o plano de saúde celebra sua expansão, as mães seguem em busca de respostas e, principalmente, da estabilidade que é direito de seus filhos para uma vida digna.

Diante do agravamento da situação e da ausência de soluções imediatas por parte da administração da unidade, o grupo de mães decidiu formalizar uma representação junto ao Ministério Público do Maranhão (MPMA) e o Procon-MA. A intenção é que o órgão ministerial intervenha para garantir que o plano de saúde Humana Saúde e a Clínica CIN cumpram com o dever de continuidade e qualidade do tratamento, conforme previsto na legislação que protege os direitos das pessoas com autismo.

As famílias buscam que o Ministério Público investigue a gestão dos recursos humanos da clínica, cobrando explicações técnicas para o remanejamento constante de profissionais. O acionamento da justiça é visto como o último recurso para interromper o que as mães classificam como um descaso institucional, assegurando que o lucro e a logística empresarial não sejam colocados acima da saúde e do desenvolvimento neuropsicológico das crianças atendidas no Turu.

Teto do parquinho de escola municipal desaba e quase provoca tragédia em São Luís

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Parte do teto do parquinho da UEB Tiradentes, localizada na Vila Maranhão, zona rural de São Luís, desabou na manhã desta quarta-feira (4), no horário do intervalo escolar. O acidente aconteceu no momento em que crianças circulavam pelo espaço e, por pouco, alunos e professores não ficaram feridos ou perderam a vida.

O desabamento provocou susto e revolta na comunidade escolar. Segundo relatos, a estrutura cedeu de forma repentina, atingindo a área do parquinho utilizada diariamente pelos estudantes durante os momentos de recreação.

O caso causa ainda mais indignação porque a escola foi reformada e entregue à comunidade em abril de 2025, há menos de um ano.

Pais e responsáveis cobram providências urgentes do prefeito Eduardo Braide e alertam para o risco enfrentado diariamente por crianças e profissionais da educação, principalmente nas escolas localizadas na zona rural da capital.

Pedido ao TCE-MA aponta falhas graves e tenta barrar licitação da Prefeitura de Parnarama

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A empresa Futura Comércio de Materiais Educacionais Ltda. protocolou um pedido no Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) para suspender ou corrigir o Pregão Eletrônico nº 003/2025, lançado pela Prefeitura de Parnarama para compra de materiais educacionais da rede municipal.

Segundo a empresa, o edital apresenta falhas graves que podem levar à assinatura de um contrato irregular. Entre os principais problemas apontados está a falta de publicação do Estudo Técnico Preliminar, documento obrigatório que justifica a necessidade da contratação e define tecnicamente o objeto.

A representação também questiona a exigência de apresentação de amostras em apenas 48 horas, sem critérios claros de avaliação, o que, segundo a empresa, restringe a concorrência e favorece fornecedores específicos.

Outro ponto destacado é a descrição genérica dos materiais licitados, como jogos pedagógicos, livros e mobiliário escolar, sem parâmetros técnicos mínimos. Para a Futura, a falta de detalhamento compromete o julgamento das propostas e pode resultar na compra de produtos inadequados para o uso educacional.

Diante disso, a empresa pediu ao TCE-MA que intervenha antes da contratação, determinando a suspensão do certame ou a correção do edital, a fim de evitar prejuízos aos cofres públicos.

Servidores antigos da SMTT denunciam remoções forçadas e corte de salários

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Servidores antigos da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT) de São Luís afirmam estar sendo vítimas de uma ação administrativa considerada abusiva, confusa e sem respaldo nos próprios fatos que a Prefeitura alega cumprir. Segundo notificação enviada à Prefeitura de São Luís pela Associação Representativa dos Servidores Públicos e Municipais (ASISMU), à qual o site Folha do Maranhão teve acesso, denuncia que trabalhadores com décadas de atuação foram removidos compulsoriamente de seus postos e passaram a não receber horas extras, sem explicação clara e sem base prática nos acontecimentos citados pela gestão municipal.

De acordo com o documento, os servidores foram surpreendidos por publicações oficiais que determinavam suas remoções sob o argumento de “situação funcional irregular” e suposto cumprimento de decisão judicial. O problema, segundo a entidade, é que essa decisão apenas reconheceu falhas formais antigas em portarias de admissão, sem ordenar remoção, devolução a órgãos de origem ou qualquer afastamento das funções que esses trabalhadores exercem há anos. Mesmo assim, a SMTT passou a tratar o caso como se houvesse uma determinação expressa para retirá-los de seus cargos.

Os servidores atingidos ingressaram na SMTT antes mesmo da criação dos cargos atuais de agente de trânsito e sempre exerceram atividades ligadas ao ordenamento do tráfego e transporte de São Luís. Nunca houve interrupção de serviço, questionamento funcional efetivo ou apontamento prático de irregularidade no desempenho dessas funções. Ainda assim, foram deslocados para locais indefinidos ou sequer informados, numa medida que, na prática, desorganiza vidas, compromete rotinas familiares e gera insegurança funcional.

Além das remoções, a associação também denuncia o parcelamento dos vencimentos e das horas extras em duas partes iguais, algo que não vinha ocorrendo anteriormente. Para os servidores, trata-se de um corte salarial disfarçado, que impacta diretamente o pagamento de contas básicas e compromissos mensais. O parcelamento, segundo a ASISMU, não foi precedido de aviso, negociação ou justificativa concreta, o que agrava o sentimento de arbitrariedade.

A notificação destaca ainda que a decisão judicial utilizada como justificativa pela SMTT não autoriza, em nenhum trecho, nem a remoção dos servidores nem o pagamento fracionado das horas extras. Mesmo assim, essas medidas passaram a ser adotadas, ampliando o alcance da decisão muito além do que ela efetivamente diz.

Diante do cenário, a associação pediu para que a SMTT suspenda imediatamente as remoções e volte a efetuar o pagamento integral das horas extras. Caso isso não ocorra, novas medidas serão adotadas para responsabilizar a gestão pelos prejuízos causados aos servidores.

ENTENDA O CASO

O impasse envolvendo a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) de São Luís tem origem em uma ação do Ministério Público que, ainda em 2013, apontou a atuação irregular de servidores em funções de Agente e Orientador de trânsito sem a realização de concurso público específico. Funcionários originalmente admitidos para áreas como vigilância, serviços gerais e motoristas foram deslocados para a fiscalização de trânsito, situação que a Justiça considerou incompatível com as regras de acesso ao cargo.

Após anos de tramitação, decisões judiciais definitivas declararam nulas essas designações e determinaram que o Município realizasse concurso público para regularizar o quadro da SMTT. Mesmo assim, o cumprimento da sentença foi sucessivamente adiado. Recursos apresentados fora do prazo legal e uma liminar concedida posteriormente acabaram mantendo esses servidores nos cargos por mais tempo, enquanto candidatos aprovados em concurso aguardavam convocação.

Esse cenário mudou quando o Tribunal de Justiça reconheceu que a tentativa de anular a sentença definitiva era inválida, fazendo cair a liminar que sustentava a permanência dos servidores na SMTT. Com a decisão, a Prefeitura de São Luís foi obrigada a executar integralmente o que já havia sido determinado anos antes: retirar os servidores sem concurso das funções de trânsito e devolvê-los aos cargos efetivos para os quais foram originalmente admitidos.

A própria gestão municipal formalizou a medida por meio de portaria da SMTT, revogando designações que remontavam a 1998 e orientando o retorno imediato dos servidores às secretarias de origem. O episódio também revelou que, durante o período de resistência ao cumprimento da decisão judicial, alguns desses servidores chegaram a receber remunerações elevadas, somando gratificações e adicionais, enquanto aprovados em concurso permaneciam fora da estrutura da SMTT.

Com a queda definitiva da liminar, o Município fica autorizado a avançar na convocação dos cerca de 280 agentes aprovados em concurso público, encerrando um impasse que se arrastou por anos. A decisão reforça o entendimento da Justiça de que a fiscalização de trânsito deve ser exercida exclusivamente por servidores concursados, restabelecendo a legalidade no quadro funcional da SMTT de São Luís. (Folha do Maranhão)

Empresa denuncia edital de R$ 24,5 milhões da Prefeitura de São Luís para kits escolares

Sede da Prefeitura de São Luís

Uma representação com pedido de liminar foi protocolada no Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) nesta segunda-feira (15), questionando supostas irregularidades no edital do Pregão Eletrônico nº 90.153/2025, promovido pela Prefeitura de São Luís. A licitação, marcada para hoje, prevê a contratação de empresa para fornecimento de kits escolares à rede municipal de ensino, com valor estimado em R$ 24,5 milhões.

A ação foi apresentada pela empresa Ravi Indústria e Comércio de Materiais em Geral Ltda., que aponta exigências técnicas excessivas e restritivas, como medidas e gramaturas específicas para aventais, canetas e giz de cera, que poderiam direcionar a licitação a fornecedores determinados. A empresa também critica a mistura de itens personalizados com produtos de prateleira em um mesmo lote, dificultando a participação de empresas menores.

A representação também indica inconsistências ambientais no edital, que confunde biodegradável com oxibiodegradável e pode levar à compra de produtos nocivos.

Diante dessas alegações, a empresa pede a suspensão do certame até que o edital seja revisado e adequado, com flexibilização das especificações técnicas, segregação de itens por afinidade de mercado e correção das exigências ambientais.

O presidente do TCE-MA, Conselheiro Daniel Itapary Brandão, determinou que o processo fosse redistribuído ao gabinete do Conselheiro Substituto Antônio Blecaute Costa Barbosa. A Corte de Contas analisará o pedido e poderá determinar ajustes no edital ou outras medidas cabíveis.

Vídeo: esposa sobe na viatura para barrar prisão do vice-prefeito de Presidente Sarney após agredi-la

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O vice-prefeito de Presidente Sarney, Guibson Chagas, foi preso, nesta terça-feira (25), após ser acusado de agredir a própria esposa, mas o que chamou atenção foi a cena registrada em vídeo durante a condução policial. Nas imagens, a mulher — apontada como vítima — aparece subindo na viatura em uma tentativa desesperada de impedir que o marido fosse levado pelos policiais.

Veja o momento:

Deputado denuncia aprovação de parentes da prefeita em concurso de Fernando Falcão e aciona o MP

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O deputado estadual Dr. Yglésio denunciou, durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (13), supostas irregularidades no concurso público realizado no município de Fernando Falcão, comandado pela prefeita Raimunda do Josemar, que possui cerca de 11,5 mil habitantes.

Segundo o parlamentar, o certame, que ofereceu 66 vagas, apresenta indícios de favorecimento de parentes da prefeita e de vereadores locais. Yglésio afirmou que, entre os aprovados para os cargos de maior remuneração, 18 têm vínculo familiar com autoridades municipais, o que representa cerca de 27% das vagas.

“Está muito mais para lista de nomeação do que para concurso público. É uma verdadeira baderna. Parentes de quem manda no município estão se apropriando dos sonhos das pessoas”, criticou o deputado.

Yglésio informou que pretende encaminhar o caso ao Ministério Público, pedindo apuração sobre o processo seletivo. Para o parlamentar, a situação fere os princípios da moralidade e da impessoalidade na administração pública.

“É um escândalo. Num município pequeno, qualquer família representa no máximo 2% da população. Como é que 27% das vagas caem nas mãos de uma só família? Isso precisa ser investigado”, destacou.

O deputado afirmou ainda que episódios como esse “reforçam o descrédito da população em relação aos concursos públicos e à gestão municipal” e defendeu maior rigor na fiscalização de processos seletivos conduzidos por prefeituras.

Veja o resultado preliminar:

Fantástico expõe ‘educação de fachada’ em cidade do MA que já recebeu R$ 650 milhões do Fundeb

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O programa Fantástico, da TV Globo, revelou neste domingo (27) a situação precária da educação pública em Bom Jardim, município maranhense que, mesmo tendo recebido mais de R$ 650 milhões do Fundeb nos últimos 13 anos, mantém escolas improvisadas em igrejas, casas de moradores e até ao lado de fornos de farinha.

Leia a íntegra da matéria:

O município, que recebeu mais de R$ 650 milhões do Fundeb (o principal fundo de financiamento da educação) nos últimos 13 anos, mantém escolas improvisadas em igrejas, casas de moradores e até ao lado de fornos de farinha.

A cidade também apresenta um longo histórico de corrupção: dos últimos cinco prefeitos, quatro foram condenados por desvios ou improbidade administrativa.

O retrato do descaso é visto no caminho diário de Eudinete e seus seis filhos. Eles caminham por uma estrada de terra até uma pequena igreja. O local, porém, não é usado para missas, mas como sala de aula improvisada. O prédio original onde a escola funcionava foi interditado por risco de desabamento. Eudinete, que trabalha no local como zeladora, merendeira e vigilante, sonha com o básico para os filhos: “Um banheiro, pelo menos um.”

A equipe de reportagem passou por onze povoados e encontrou sinais de descaso por toda parte. Na escola improvisada na igreja, o estudante Jean, de 7 anos, observa: “Aqui nem é de verdade. Parece que aqui é só uma igreja.” Em outro povoado, Dona Elivânia oferece a própria casa para que os filhos e outras crianças tenham onde estudar há mais de 10 anos. Questionada sobre o que falta, ela resume: “O que falta é a escola mesmo ser construída.”

Banheiro é item raro; em um local, é apenas um cercado de palha, em outro, uma estrutura inacabada. “A gente tem que ir pra dentro do mato, porque tem um banheiro ali que nem vaso não tem”, conta um estudante. Em outra escola, onde o professor Antônio trabalha, a água usada pelos alunos vem de um poço cheio de insetos.

Professores se desdobram para lidar com a situação. Em uma das salas improvisadas, uma professora atende crianças de idades diferentes ao mesmo tempo. “O rebolado é grande. Eu tento me multiplicar o máximo que eu posso”, diz ela, que admite: “A defasagem é bem grande.”

Enquanto isso, estruturas de alvenaria, que poderiam ser escolas, estão abandonadas. Um prédio foi fechado há 10 anos para uma reforma que nunca aconteceu e hoje está com a estrutura deteriorada.

Em Bom Jesus (MA), quatro dos últimos cinco prefeitos foram condenados por desvios ou improbidade administrativa. — Foto: Reprodução

Em Bom Jesus (MA), quatro dos últimos cinco prefeitos foram condenados por desvios ou improbidade administrativa. — Foto: Reprodução

As péssimas condições não são novidade e coincidem com o histórico político da cidade. Em 2015, Lidiane Leite ficou conhecida como a “Prefeita Ostentação” por divulgar uma vida de luxo nas redes sociais. Ela foi presa, acusada de desviar cerca de R$ 15 milhões que deveriam ser destinados ao ensino público. Lidiane tem 10 condenações, que somam quase 40 anos de prisão.

Entre 2013 e 2020, Bom Jardim teve quatro prefeitos, e todos foram condenados. Após Lidiane, assumiu a vice, Malrinete Gralhada, condenada a 15 anos por desvio de dinheiro. Em 2016, Manoel da Conceição Pereira Filho, o Sinego, assumiu por 70 dias, tempo suficiente para desviar R$ 600 mil. Francisco Alves Araújo (2017-2020) foi afastado três vezes por corrupção e improbidade.

Fábio Oliveira, promotor responsável pelas investigações de todos eles, aponta uma cultura de corrupção. “Eles já ficavam esperando a vez deles entrarem, já para se corromper, para poder sugar o dinheiro que tinha em Bom Jardim”, disse. Lidiane e Malrinete foram condenadas criminalmente, mas recorrem em liberdade. Francisco e Manoel tiveram condenações na esfera civil.

Apesar dos R$ 650 milhões recebidos em 13 anos, pouca coisa mudou. A atual prefeita, Christianne Varão (PL), ex-professora e reeleita, também está sendo investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por desvio de verbas e corrupção. Ela se defende: “Bom Jardim […] é uma cidade extensa e não tem como resolver todos os problemas das escolas em quatro anos”, mas promete construir novas unidades.

Para o promotor Fábio Oliveira, a corrupção na área escolar é um “destruidor de sonhos”. Os sonhos dos estudantes de Bom Jardim são simples. Um deles descreve a escola ideal: “Que tem carteiras novas, mesas boas… um piso mais adequado, que nós possa também ter um banheiro com mais boa qualidade e uma caixa de água para nós beber.” Jean, de 7 anos, completa: “Com internet, com aula de brincar, com parede de cimento, com telha.”

Em nota, a defesa de Lidiane Leite disse que a grande maioria dos processos já foi arquivada, que existem processos a serem julgados e outros que ainda estão em fase de recurso. E que considera que não há nenhuma pena a ser cumprida.

A defesa de Manoel da Conceição Pereira Filho negou que ele tenha utilizado o cargo para obter vantagens. Disse que ele sofreu pressão política e foi induzido a assinar documentos e que exerce o direito de defesa com serenidade e lealdade.

A defesa de Francisco Alvez Araújo disse que ele foi afastado do cargo por causa de processos marcados pelos grupos políticos que travam uma guerra na cidade. E que responde com serenidade às ações judiciais.

O Fantástico tentou contato com a defesa de Malrinete Gralhada, mas não obteve retorno.

Vereador acusa gestão Preto de usar dinheiro público para financiar aeroporto particular do ex-prefeito

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O vereador Dr. Júnior Castro trouxe à tona uma denúncia grave envolvendo a Prefeitura de Vargem Grande. Segundo ele, durante uma fiscalização, uma caçamba contratada pela gestão do prefeito Preto foi flagrada saindo da fazenda do ex-prefeito Carlinhos Barros.

De acordo com o parlamentar, o local estaria sendo usado para a construção de um aeroporto particular, com máquinas e mão de obra custeadas pela Prefeitura. Para Dr. Júnior Castro, a situação representa um possível desvio de recursos e abuso da administração municipal.

O parlamentar repudiou o que chamou de prática criminosa e exigiu ação imediata de órgãos de fiscalização, como o Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público de Contas, Secor e Procuradoria-Geral de Justiça. “É hora de dar um basta aos abusos e ao uso indevido da máquina pública”, afirmou.

Veja o relato:

Após rombo de R$ 68 milhões na infância de São Luís, MP pede auditoria na prefeitura

Sede da Prefeitura de São Luís

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) acionou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) e pediu uma auditoria operacional na Prefeitura de São Luís, administrada pelo prefeito Eduardo Braide, para apurar a ausência de repasses ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA).

O rombo histórico, acumulado entre 2012 e 2023, ultrapassa R$ 68 milhões. Segundo a 42ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, em 2024, os repasses foram apenas parciais, e em 2025 nenhum recurso foi destinado, mesmo com previsão de R$ 14,7 milhões na Lei Orçamentária Anual. A obrigação descumprida inclui a transferência de 10% do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) dos servidores municipais ao fundo.

O MPMA propõe a assinatura de um Termo de Ajuste de Gestão. Caso a prefeitura se recuse, solicita medida cautelar para obrigar a transferência imediata dos recursos ainda em 2025 e garantir repasses regulares nos anos seguintes.

A falta de recursos comprometeu políticas públicas e projetos de ONGs voltados a crianças em situação de rua, vítimas de abuso sexual, exploração do trabalho infantil e crianças com deficiência. Em 2023, apenas 24 dos 43 projetos aprovados receberam financiamento, deixando centenas de crianças sem atendimento.

O CMDCA alerta sobre o problema desde 2014, e tentativas de acordo foram recusadas pela Procuradoria Geral do Município. Além do pedido ao TCE, o MPMA já ajuizou ação exigindo a regularização dos repasses, a devolução integral dos valores não transferidos e responsabilização por danos coletivos. Para os promotores, há um “desmonte programado” da rede de proteção à infância em São Luís.