
A crise do transporte público em São Luís escancarou, mais uma vez, o desinteresse político do prefeito Eduardo Braide em enfrentar o problema de frente. Logo na primeira reunião após assumir a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), Manuela Fernandes não compareceu. A SMTT foi representada apenas pelo advogado Marco Aurélio Sousa Rocha, enquanto o Município também contou com o procurador Dormeval Alves Moreno Neto.
Apesar disso, fontes apontam que, em situações como essa, a presença da secretária seria essencial, dada a gravidade da crise e seu papel de liderança na pasta.
O gesto — ou a ausência dele — fala alto. Em um momento de greve, sistema à beira do colapso e serviço essencial comprometido, a Prefeitura optou pelo silêncio institucional. Quem não senta à mesa, não quer resolver.
SMTT chega ao sétimo secretário e segue sem comando técnico
Manuela Fernandes assumiu a pasta sem experiência técnica na área, substituindo Maurício Itapary, o sexto secretário da gestão Braide, demitido por recado, sem sequer uma conversa direta com o prefeito. O método reforça a marca de uma administração centralizadora e personalista, onde decisões são tomadas no gabinete e executadas à distância.
Agora, com Manuela, a SMTT chega ao sétimo secretário — um número que por si só já denuncia instabilidade administrativa crônica. Em um setor que exige conhecimento técnico e planejamento, Braide segue priorizando nomeações de perfil político, não técnico.
Reuniões esvaziadas e representantes sem poder de decisão
Fontes que acompanham as negociações relatam que as reuniões têm sido ocupadas por enviados sem autonomia, verdadeiros “porta-recados”, incapazes de deliberar ou assumir compromissos. Em temas sensíveis, como transporte público, isso equivale a empurrar o problema com a barriga.
O cargo de secretário existe justamente para isso: liderar, decidir e negociar. A ausência sistemática do chefe da pasta, agora repetida por Manuela, reforça a avaliação de que a SMTT opera sem comando efetivo.
O contraste institucional: Onde está a Prefeitura?
O abismo entre a atuação do Estado e a omissão do Município ficou registrado em nota oficial do Sindicato dos Rodoviários. Enquanto a Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB) marcou presença e buscou o diálogo para a Convenção Coletiva de 2026, a SMTT brilhou pela ausência direta de sua secretária, aparecendo apenas por meio de representação legal. O recado político é amargo: enquanto o sistema colapsa, a gestão municipal assiste de longe.
Licitação liberada há um ano e ainda engavetada
Em fevereiro de 2025, Braide sancionou uma lei que autoriza a realização de uma nova licitação do transporte coletivo. O poder legal existe há um ano. O orçamento foi previsto. Nada foi feito.
Enquanto isso, o prefeito prefere atacar empresários, reter subsídios — que são parte da manutenção da frota — e repetir o discurso de que o sistema é caótico.
Se é caótico, a pergunta é inevitável: por que, em um ano, a licitação não saiu do papel?









