O Maranhão terá uma nova enxurrada de pesquisas eleitorais nesta semana. Seis levantamentos registrados no TSE entre 26 e 30 de agosto têm divulgação prevista entre terça-feira (1º) e sábado (5) e devem colocar novamente os principais nomes da disputa de 2026 diante dos eleitores.
Os estudos são assinados por Aferir, IPSensus, Veritá, IPPI e Paraná Pesquisas e somam mais de R$ 400 mil em custos declarados. As pesquisas variam entre 350 e 1.525 entrevistados e utilizam metodologias presenciais e por telefone.
A movimentação ocorre em um cenário marcado também pela judicialização das pesquisas eleitorais. Nas últimas semanas, levantamentos registrados no Maranhão tiveram a divulgação suspensa por decisões da Justiça Eleitoral após questionamentos sobre critérios metodológicos e amostrais.
Assim, enquanto novos números são registrados para chegar às ruas, outros acabam barrados antes de serem conhecidos pelo eleitor.
A primeira rodada seria nesta terça-feira (1º), com duas pesquisas. Mas uma delas já foi barrada pela Justiça Eleitoral. O levantamento MA-06490/2026, do Instituto Aferir, que seria divulgado pelo jornal O Imparcial, teve a publicação suspensa por decisão judicial. Outras pesquisas estão previstas para os dias 3, 4 e 5 de setembro.
O resultado é um eleitor maranhense no meio de uma disputa que acontece em duas frentes: uma enxurrada de pesquisas de um lado e uma enxurrada de decisões judiciais do outro.
O deputado federal André Fufuca (PP) aproveitou o incêndio no Estádio José Correia, em Bacabal, para cobrar o governador Carlos Brandão (MDB) pela demora na reforma do espaço. Segundo Fufuca, os recursos para a obra estão disponíveis desde dezembro de 2023, mas nenhuma intervenção teria sido realizada.
“Absurdo. Desde dezembro de 2023 o recurso está à disposição da Sedel do Estado. E até agora nenhuma ação. Inacreditável e inaceitável”, escreveu o deputado.
A crítica partiu de quem, até poucos meses atrás, integrava o grupo político de Brandão e ocupava espaço no governo estadual. Depois do rompimento e da adesão à pré-candidatura de Eduardo Braide (PSD), Fufuca passou a fazer oposição ao governador.
Brandão rebateu a acusação e explicou que o valor inicialmente destinado à reforma era insuficiente para as obras necessárias. Segundo o governador, foi preciso readequar o convênio, que aguarda parecer e autorização da Caixa Econômica Federal.
O governador também questionou a mudança de postura do ex-aliado: “Mudar de lado torna as pessoas desonestas?”
A troca de acusações ocorreu após o incêndio registrado na noite de domingo (30) no estádio de Bacabal.
A Justiça Eleitoral suspendeu a divulgação da pesquisa eleitoral MA-06490/2026, realizada pelo Instituto Aferir, que estava programada para ser divulgada nesta terça-feira (1º) no Maranhão. O levantamento foi contratado pela Empresa Pacotilha S.A., responsável pelo jornal O Imparcial, ao custo declarado de R$ 90 mil.
A decisão, à qual o Blog do Minard teve acesso, é da juíza auxiliar da Comissão de Propaganda do TRE-MA, Manuella Viana dos Santos Faria Ribeiro. A magistrada analisou representação apresentada pela Coligação Brasil Justo, Maranhão Grande contra o Instituto Aferir DF Ltda., que questionou o registro e a metodologia adotada na pesquisa.
Registrada em 26 de agosto, a pesquisa ouviu 1.200 eleitores entre os dias 29 e 31 de agosto e tinha como objetivo medir a disputa para governador, senador, deputado federal e deputado estadual. O levantamento previa margem de erro de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Divergência na renda chamou atenção da Justiça
A Justiça também apontou divergência na variável de renda: o plano amostral previa “renda domiciliar total”, enquanto o questionário aplicado perguntava sobre a “renda do chefe de família”. Para a magistrada, são conceitos diferentes, embora a decisão não afirme que a divergência tenha alterado o resultado da pesquisa.
Outro problema foi a inclusão de perguntas sobre presidente da República, cargo que não constava no registro da pesquisa. As questões apareciam antes das perguntas sobre governador e senador, o que, segundo a decisão, poderia influenciar as respostas por meio do chamado efeito de ancoragem.
Levantamento percorreu cinco regiões do Maranhão
O plano registrado previa entrevistas em 40 municípios, distribuídos pelas cinco mesorregiões do estado.
São Luís concentraria a maior quantidade, com 168 entrevistas, seguida por Imperatriz, com 72; Pinheiro, com 65; Timon, com 58; Balsas, com 55; Barreirinhas, com 55; Caxias, com 52; Bacabal, com 45; Açailândia, com 40; São José de Ribamar, com 38; e Colinas, com 35.
A pesquisa também previa entrevistas em municípios menores, como São Bernardo, Araioses, Estreito, Tasso Fragoso e São José dos Basílios. Ao todo, estavam previstas 1.200 entrevistas em todo o estado.
Apesar dos questionamentos, a magistrada ressaltou que a análise realizada é provisória e que o mérito será examinado após a manifestação do instituto.
Com a decisão, ficou proibida a divulgação, publicação ou veiculação dos resultados da MA-06490/2026, inclusive em redes sociais, veículos de imprensa ou outros meios. Caso a determinação seja descumprida, foi fixada multa diária de R$ 20 mil.
O Maranhão terá 18 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados na próxima legislatura. O número coloca o estado no mesmo patamar do Pará e acima dos estados que possuem a bancada mínima de oito deputados, mas ainda bem distante dos maiores colégios eleitorais do país, como São Paulo, que tem 70 vagas.
Em números absolutos, a bancada maranhense pode parecer pequena diante de estados como Minas Gerais, com 53 deputados, Rio de Janeiro, com 46, e Bahia, com 39. Mas, no Maranhão, o peso dessas 18 cadeiras pode ser maior do que a conta sugere.
Isso porque a eleição para deputado federal acontecerá no mesmo dia da disputa pelo Governo do Estado. E o resultado das urnas vai definir não apenas quem ocupará as cadeiras em Brasília, mas também qual grupo político terá mais força para sustentar o próximo governo.
A disputa não termina na eleição para governador
A futura bancada federal terá papel importante na relação do Maranhão com o governo federal. São os deputados que participam diretamente da articulação por emendas, investimentos e recursos para municípios e áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Por isso, para os grupos que disputam o Palácio dos Leões, eleger deputados federais aliados é quase tão importante quanto ampliar a votação para governador.
O Maranhão possui atualmente 18 vagas na Câmara. Pela população estimada pelo IBGE para 2026, de 7 milhões de habitantes, o estado não aparece entre os casos mais evidentes de distorção na representação parlamentar. O problema, portanto, não está necessariamente na quantidade de cadeiras, mas na composição política que sairá das urnas.
Bancada virou parte da disputa entre Orleans e Braide
A movimentação política para 2026 já atingiu diretamente a bancada federal maranhense. A disputa entre Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide (PSD) pelo Governo do Estado também passou a influenciar alianças, partidos e projetos de reeleição.
Deputados federais e lideranças que antes transitavam em diferentes grupos precisaram recalcular suas posições diante da polarização que se desenha para outubro.
Nesse cenário, Orleans chega à disputa com uma estrutura política que reúne prefeitos, deputados estaduais e federais e o senador Weverton Rocha (PDT). É uma rede que pode ter impacto não apenas na eleição para governador, mas também na formação da próxima bancada maranhense em Brasília.
Braide, por sua vez, aposta na força eleitoral que construiu em São Luís e na capacidade de ampliar esse capital político para o restante do estado.
O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) saltou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma semana e passou a ocupar a terceira posição na disputa, segundo a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (31).
O crescimento de Cury ocorre após sua participação em uma sabatina da TV Globo e na sequência do primeiro debate presidencial, realizado pela Band em parceria com o Estadão, no dia 23 de agosto. A movimentação também foi acompanhada por aumento de sua presença nas redes sociais.
Mesmo com a ascensão do novo candidato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua liderando o primeiro turno, agora com 39%. O presidente tinha 41% na rodada anterior. A oscilação, no entanto, está dentro da margem de erro da pesquisa.
Na segunda colocação aparece o senador Flávio Bolsonaro (PL), que caiu de 37% para 33%. Com as mudanças, a distância entre Lula e o candidato bolsonarista passou de quatro para seis pontos percentuais.
O restante da disputa aparece bem mais distante. Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, Renan Santos (Missão) registra 3% e Romeu Zema (Novo) aparece com 1%.
Em uma simulação alternativa, que inclui Pablo Marçal, declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, o coach aparece com 3% das intenções de voto.
Segundo turno permanece apertado
Apesar das diferenças no primeiro turno, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro continua praticamente equilibrada quando os dois são colocados frente a frente no segundo turno.
Lula aparece com 46%, enquanto Flávio Bolsonaro marca 45%. O resultado repete o cenário da pesquisa anterior e mantém a eleição dentro de um quadro de empate técnico.
Brancos, nulos ou eleitores que não escolheriam nenhum dos dois somam 8%, enquanto 1% não soube ou não respondeu.
O levantamento foi realizado pela Nexus com 2.005 entrevistados de 16 anos ou mais, por telefone, entre os dias 28 e 30 de agosto.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08900/2026.
Reunião por videoconferência marca retomada do diálogo técnico entre os dois países, mas governo brasileiro não espera avanço rápido nas tratativas.
O ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, se reúnem nesta segunda-feira (31) para retomar as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos após a imposição de novas tarifas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
A reunião será realizada por videoconferência, às 14h30, e representa a retomada do diálogo técnico entre os dois países. O movimento ocorre após o telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para Trump, realizado no último dia 21 de agosto.
Washington oficializou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi anunciada após recomendação do USTR e integra uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Na sequência, o USTR também confirmou uma nova tarifa de até 12,5% contra o Brasil e outros países que, segundo o governo norte-americano, não teriam adotado medidas suficientes para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho escravo.
Apesar da reabertura das conversas, o governo brasileiro trabalha com a avaliação de que não haverá uma solução rápida para o impasse. A expectativa é de que um eventual acordo só avance depois das eleições.
Lula tem afirmado a interlocutores que não há temas que não possam ser negociados com os Estados Unidos. A orientação, porém, é evitar concessões em pontos considerados estratégicos para o Brasil, entre eles os minerais críticos e o sistema de pagamentos Pix.
O governo brasileiro admite discutir, por exemplo, uma eventual redução das tarifas aplicadas a bens de capital. Também existe disposição para tratar de questões relacionadas ao etanol, desde que a discussão seja ampliada para incluir a política de biocombustíveis e toda a cadeia produtiva do açúcar.
Atualmente, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre o etanol de milho importado dos Estados Unidos. Antes dos últimos aumentos tarifários, os norte-americanos aplicavam uma taxa de 12,5% sobre o etanol brasileiro.
Segundo o MDIC, as medidas adotadas com base na Seção 301 atingem, de forma isolada ou conjunta, aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, considerando os dados comerciais de 2024.
Em 16,5% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, as duas sobretaxas incidem simultaneamente, fazendo com que a carga tarifária adicional chegue a 37,5%.
Brasil prepara possível resposta
O governo brasileiro também iniciou, em 13 de agosto, o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. Na ocasião, foram notificados os departamentos norte-americanos de Estado e Comércio, além do USTR.
A legislação permite que o Brasil adote contramedidas diante de medidas unilaterais de outros países consideradas prejudiciais à competitividade brasileira.
A abertura do procedimento, no entanto, não significa que o Brasil tenha decidido aplicar imediatamente tarifas ou outras restrições contra produtos e empresas norte-americanas. O processo ainda precisa seguir as etapas de análise previstas na legislação.
Entre os pontos que devem ser avaliados estão as medidas estrangeiras consideradas prejudiciais, os setores brasileiros afetados e uma estimativa dos impactos econômicos provocados pelas ações.
Ao anunciar o início do procedimento, o governo brasileiro afirmou que vinha tentando, ao longo do último ano, convencer o USTR a encerrar a investigação baseada na Seção 301 e apresentou argumentos para contestar as acusações de práticas comerciais desleais.
“As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, afirmou o governo brasileiro em nota.
Sancionada em abril de 2025 e regulamentada três meses depois, a Lei da Reciprocidade Econômica permite, em determinadas circunstâncias, a suspensão de concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira.
O Maranhão voltou a aparecer entre os estados brasileiros com representantes no seleto grupo das maiores fortunas do país. Na lista de bilionários de 2026 da Forbes, três integrantes da família que controla o Grupo Mateus aparecem entre os 255 brasileiros relacionados pela publicação.
Somadas, as fortunas estimadas de Ilson Mateus Rodrigues, Denilson Pinheiro Rodrigues e Ilson Mateus Rodrigues Júnior chegam a R$ 5,5 bilhões.
O principal nome da família continua sendo Ilson Mateus, fundador do Grupo Mateus. Aos 63 anos, o empresário aparece na 107ª posição do ranking nacional, com patrimônio estimado em R$ 3,5 bilhões. Entre os bilionários nordestinos, ele ocupa a sexta colocação.
Os dois filhos também passaram a figurar entre os nomes bilionários da lista. Denilson Pinheiro Rodrigues, de 38 anos, e Ilson Mateus Rodrigues Júnior, de 42, aparecem empatados na 242ª posição, com patrimônio estimado em R$ 1 bilhão cada.
A presença dos três integrantes da família no ranking está diretamente relacionada à participação acionária no Grupo Mateus, um dos maiores conglomerados varejistas do país. A companhia abriu capital na Bolsa de Valores em 2020, fazendo com que o valor de mercado de suas ações tenha peso relevante nas estimativas patrimoniais divulgadas pela Forbes.
Ranking mudou a fotografia das fortunas
Um dos pontos que chama atenção na edição deste ano é a diferença entre a estimativa atribuída a Ilson Mateus em 2025 e a registrada agora.
No ranking anterior, a Forbes estimava o patrimônio do empresário em R$ 10,9 bilhões, colocando-o na 34ª posição entre os brasileiros mais ricos. Em 2026, a publicação calcula sua fortuna em R$ 3,5 bilhões.
A diferença, porém, não deve ser interpretada simplesmente como uma perda de R$ 7,4 bilhões. As listas são fotografias patrimoniais feitas a partir de critérios e valores de mercado específicos de cada período.
No caso das empresas de capital aberto, a Forbes considera o valor das participações acionárias com base nas cotações de fechamento de 30 de junho de 2026. Outros tipos de patrimônio, como imóveis, aeronaves, embarcações e obras de arte, normalmente não entram no cálculo.
A composição da lista também mostra uma mudança em relação à família. Maria Barros Pinheiro, esposa de Ilson Mateus e uma das pessoas ligadas à construção do grupo empresarial, não aparece entre os bilionários maranhenses relacionados na edição de 2026. No ranking de 2025, ela ocupava a 146ª posição nacional, com fortuna estimada em R$ 2,8 bilhões.
Maranhão entre os bilionários do Nordeste
Com os três integrantes da família Mateus, o Maranhão aparece com três dos 22 bilionários nordestinos listados pela Forbes em 2026.
O ranking nacional é liderado por Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, com patrimônio estimado em R$ 162,9 bilhões.
No Nordeste, a maior fortuna é a do cearense Mário Araújo Alencar Araripe, fundador da Casa dos Ventos, avaliada em R$ 20,3 bilhões.
A presença da família Mateus entre as maiores fortunas do país acompanha a expansão do grupo empresarial criado no Maranhão, que se transformou em uma das principais companhias do setor de varejo e atacarejo brasileiro.
Antes das Eleições Gerais de 2026, os sistemas eleitorais desenvolvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passam por diferentes etapas de fiscalização e auditoria, previstas na Resolução TSE nº 23.673/2021, que estabelece mecanismos de fiscalização antes, durante e depois das eleições. A norma permite, entre outras medidas, o acesso aos códigos-fonte, o acompanhamento da preparação das urnas, os Testes de Integridade e de Autenticidade e verificações após a totalização dos resultados.
Lacração dos sistemas
Na Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais, marcada para 4 de setembro, os sistemas são apresentados às entidades fiscalizadoras e passam por compilação, assinatura digital e lacração. A assinatura digital assegura a autenticidade dos programas. Em seguida, eles são gravados em mídias não regraváveis, acondicionados em invólucros lacrados e armazenados em cofre da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE (STI/TSE).
A compilação e a assinatura são feitas por servidoras e servidores do TSE, com certificados emitidos por autoridade certificadora credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Representantes das entidades fiscalizadoras também podem assinar digitalmente os sistemas. Após a compilação, os arquivos executáveis ficam disponíveis no mesmo ambiente em que os códigos-fonte foram inspecionados, o que permite verificar a correspondência entre eles.
Também são gerados resumos digitais (hashes) dos códigos-fonte, dos executáveis e dos demais arquivos. O recurso permite identificar alterações nos arquivos, pois qualquer mudança produz um hash diferente. Uma cópia é entregue às entidades presentes e publicada no Portal do TSE. Ao final, é feito o registro em ata dos sistemas, das versões, das datas e das pessoas que os assinaram digitalmente.
Fiscalização começa antes da lacração
A fiscalização dos sistemas começa antes da cerimônia. As entidades fiscalizadoras têm acesso aos programas desenvolvidos pelo TSE a partir de 12 meses antes do 1º turno e até a compilação. Nesse período, podem acompanhar a especificação e o desenvolvimento e analisar os códigos-fonte em ambiente controlado no Tribunal. Neste ciclo, sete entidades fizeram a inspeção: União Brasil, Senado Federal, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Sociedade Brasileira de Computação, Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Procuradoria-Geral da República e Controladoria-Geral da União (CGU).
Para a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração de 2026, solicitaram credenciamento o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), CNMP, Defensoria Pública da União (DPU), Polícia Federal (PF), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Tribunal de Contas da União (TCU) e Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE). A resolução também prevê a participação de partidos políticos, federações e coligações, Congresso Nacional, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre outras entidades.
Auditorias continuam depois da lacração
A fiscalização prossegue nas cerimônias de geração de mídias e preparação das urnas, quando as entidades podem verificar a integridade e a autenticidade dos sistemas, acompanhar os procedimentos e conferir a aplicação dos lacres físicos. Antes da votação, também são realizados os Testes de Integridade e de Autenticidade das Urnas Eletrônicas.
No Teste de Integridade, são acompanhadas votações simuladas e conferidos os resultados registrados. No Teste de Autenticidade, são verificadas a integridade dos programas instalados nas urnas e a regularidade dos procedimentos. Depois da votação, as entidades podem analisar relatórios e arquivos dos sistemas e conferir a contabilização dos votos pela comparação com os Boletins de Urna (BUs) impressos.
E se um sistema precisar ser alterado?
A lacração não impede correções posteriores. Qualquer alteração, porém, deve ser publicada no Portal do TSE e comunicada às entidades fiscalizadoras. O sistema modificado precisa passar novamente por análise, compilação, assinatura digital e lacração, e a mudança depende de autorização prévia da Presidência do Tribunal. Após a cerimônia, as entidades têm cinco dias para apresentar eventual impugnação fundamentada aos programas.
O conjunto de procedimentos permite que os sistemas eleitorais sejam fiscalizados em diferentes momentos, desde o desenvolvimento dos programas e a preparação das urnas até os testes realizados antes da votação e as verificações posteriores à totalização dos resultados.
Uma leitura dos dados que compõem a pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (24) mostra diferenças significativas na distribuição das entrevistas entre os municípios maranhenses.
Caxias e Timon, dois dos cinco maiores colégios eleitorais do estado, tiveram apenas 18 eleitores ouvidos cada. O mesmo número de entrevistas foi realizado em Amapá do Maranhão, que possui 4.971 eleitores.
Juntas, Caxias e Timon concentram 238.101 eleitores. Ainda assim, receberam a mesma quantidade de entrevistas destinada a um município quase 48 vezes menor que os dois, somados.
São Luís, com 144 entrevistas, e Imperatriz, com 30, foram as únicas cidades que tiveram uma quantidade diferente. Nos demais municípios incluídos na amostra, foram 18 entrevistas.
O próprio relatório da Quaest afirma que a pesquisa precisa obedecer à representação proporcional do eleitorado para ter valor estatístico.
Outro aspecto apontado pelo levantamento do Blog do Marco D’Eça é o número de grandes colégios eleitorais que não participaram da pesquisa. Açailândia, oitavo maior do Maranhão, com 78.158 eleitores, ficou de fora.
Dos 30 maiores colégios eleitorais do estado, 19 não foram incluídos. Esse conjunto concentra cerca de metade do eleitorado maranhense.
Na Região Tocantina, apenas Imperatriz, Estreito e Davinópolis aparecem na amostra. Já municípios como Presidente Dutra, Dom Pedro, Colinas e São Domingos, região considerada importante na votação de Orleans Brandão, ficaram totalmente fora do levantamento.
A distribuição das entrevistas também produz outro contraste. Nove municípios da Baixada Maranhense somam aproximadamente 200 mil eleitores e receberam, juntos, 144 entrevistas. Imperatriz possui eleitorado de dimensão semelhante, mas teve apenas 30 entrevistados.
É justamente nessa distribuição que está um dos principais elementos para compreender por que os números da Quaest se afastaram de outros levantamentos divulgados no Maranhão.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) passou a defender o registro da candidatura de Weverton Rocha (PDT) ao Senado pelo Maranhão nas Eleições 2026. O novo parecer considera regularizada a pendência que havia levado o próprio órgão a contestar inicialmente a candidatura.
A impugnação foi apresentada em 12 de agosto, sob o argumento de que o candidato não possuía quitação eleitoral por causa de uma multa ainda pendente.
A situação, porém, foi regularizada durante a tramitação do pedido de registro. A defesa de Weverton comprovou o pagamento integral da multa e apresentou uma nova certidão de quitação eleitoral.
Diante da regularização, o procurador regional eleitoral Tiago de Sousa Carneiro opinou pelo desprovimento da impugnação apresentada anteriormente pelo próprio MPE. O parecer cita a Súmula nº 50 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo a qual a ausência de quitação pode ser corrigida antes do julgamento do registro.
Outro ponto favorável à candidatura foi a situação da coligação “Avanço por todo Maranhão”. O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) deferiu, na quarta-feira (26), o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) da coligação, registrado sob o nº 0600439-66.2026.6.10.0000.
Agora, com o parecer favorável do Ministério Público Eleitoral, caberá ao TRE-MA analisar e julgar o pedido de registro da candidatura de Weverton Rocha ao Senado.