Com Dino, STF continua voto sobre responsabilidade de plataformas digitais

Sessão plenária do STF. Foto: Ton Molina/STF

Com voto do ministro Flávio Dino, o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (11) o julgamento conjunto de dois recursos sobre a responsabilidade civil das plataformas da internet por conteúdos de terceiros e as possibilidades de remoção de material ofensivo. O debate trata das regras do Marco Civil da Internet (MCI).

Dino foi o quinto a votar no caso. Ele apresentou pontos já apresentados por outros ministros com intenção de apresentar uma mediação das posições. O julgamento será retomado na sessão da tarde, com voto do ministro Cristiano Zanin. Segundo Flávio Dino, não existe liberdade sem responsabilidade, conforme a Constituição. “A responsabilidade não impede a liberdade. A responsabilidade evita a barbárie, evita tiranias”, afirmou.

Para o ministro, é preciso ampliar a responsabilidade das plataformas, adotando como geral a regra que prevê a possibilidade de exclusão caso não se exclua postagem a partir de uma notificação de um usuário (extrajudicial). A exceção ficaria para casos de denúncias de ofensas e crimes contra a honra, em que a plataforma só poderia ser responsabilizada caso descumpra decisão da Justiça para excluir determinado conteúdo.

Flávio Dino ainda propôs fixar um rol tributário de conteúdos pelas quais as plataformas devem ter um dever de monitoramento. Eles poderiam ser responsabilizados caso haja uma “falha sistêmica” com a disseminação massiva de publicações como crimes contra crianças e adolescentes, instigação ao suicídio, terrorismo ou apologia a crimes contra o Estado Democrático de Direito. As plataformas também poderiam ser responsabilizadas, independentemente de notificação judicial ou extrajudicial, em situações de perfis anônimos, robôs, ou mensagens pagas.

Porém, o ministro Dino ressaltou que se o conteúdo ilícito de acontecer de forma individual, não impulsionado, não será suficiente para configurar a responsabilidade civil da plataforma. Contudo, uma vez recebida notificação extrajudicial sobre a ilicitude, passará a responder subsidiariamente se não impedir a exibição do conteúdo. E caso o autor do conteúdo consiga ordem judicial para restabelecer a divulgação da matéria, aí não há imposição de indenização ao provedor

Votos 

Até o momento, além de Dino, os ministros Dias Toffoli e Luiz Fux, relatores dos recursos, consideram inconstitucional a exigência de notificação judicial para retirada de conteúdo ofensivo. Já o ministro Luís Roberto Barroso (presidente) entende que a norma é parcialmente inconstitucional. Para ele, as obrigações devem ser mantidas em algumas situações específicas, como nos crimes contra a honra, porque nesses casos a retirada da exigência pode comprometer a proteção à liberdade de expressão. O ministro André Mendonça divergiu e afirmou que a regra do Marco Civil é constitucional.

Responsabilidade civil e decisão judicial

No Recurso Extraordinário (RE) 1037396 , a discussão é sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014). O dispositivo exige ordem judicial prévia e específica de exclusão de conteúdo para que provedores de internet, sites e gestores de redes sociais sejam responsabilizados por danos decorrentes de atos ilícitos praticados por terceiros.

Retirada de conteúdo ofensivo sem decisão judicial

No RE 1057258 , a Google discute se uma empresa que hospedou sites na internet tem o dever de fiscalizar o conteúdo publicado e de retirá-lo do ar quando considerado ofensivo, sem necessidade de intervenção do Judiciário. A plataforma argumenta que esse tipo de fiscalização seria impossível e configuraria censura prévia por empresa privada. O caso concreto refere-se ao período anterior ao MCI.

Bolsonaro cita críticas de Flávio Dino às urnas em depoimento ao STF

Foto/Divulgação

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (10), em depoimento ao STF, que não foi o único político a criticar o sistema eletrônico de votação no Brasil. Ele citou declarações antigas do ministro do STF, Flávio Dino, feitas quando ainda atuava na política, nas quais classificava as urnas eletrônicas como “extremamente inseguras e suscetíveis a fraudes”.

A menção a Dino foi usada por Bolsonaro para reforçar a tese de que apenas expressou uma opinião política ao questionar o sistema eleitoral, argumento central de sua defesa no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado. A estratégia é sustentar que suas críticas estão dentro dos limites da liberdade de expressão, e não configuram ato preparatório de golpe.

Em evento acadêmico, Flávio Dino sugere nome para vice de Felipe Camarão

Foto Reprodução

Durante a Aula Magna do curso de Direito da UNDB, em São Luís, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, fez uma sugestão inusitada ao vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), ao mencionar a possibilidade de uma composição eleitoral futura.

Ao cumprimentar os presentes, Dino se dirigiu diretamente a Camarão e indicou, em tom descontraído, a professora e mediadora do evento, Dra. Teresa Helena Barros, como possível vice em uma chapa liderada pelo petista. Ela é filha do empresário Hilario Neto, ex-candidato a prefeito de Lago da Pedra.

“É uma alegria de te ver Felipe e em nome dessa amizade quero de dar uma sugestão, ponha a Teresa de vice-governadora porque vai ficar imbatível, a mulher é popular viu”, disse Dino, arrancando risos do público presente.

“Depois de governar, é preciso esquecer que foi governador”, diz Brandão ao confirmar afastamento de Dino

Governador Carlos Brandão

A entrevista de Carlos Brandão ao O Globo revela sua tentativa de equilibrar relações políticas no Maranhão e no cenário nacional. Ele confirma o afastamento de Flávio Dino, mas evita um rompimento direto, sinalizando descontentamento com a influência do ex-governador no estado. Ao mesmo tempo, reforça sua aproximação com o grupo Sarney, mostrando pragmatismo político.

Brandão também minimiza a queda de popularidade de Lula no Nordeste, atribuindo-a a fatores econômicos passageiros, e defende maior diálogo do governo federal com setores estratégicos, como o agronegócio e os evangélicos. Seu discurso aponta para um posicionamento moderado dentro do PSB, evitando polarizações e mantendo-se aberto a alianças futuras.

A entrevista reforça sua estratégia de preservação política para 2026, sem antecipar sua candidatura ao Senado, mas deixando clara sua influência na articulação estadual e nacional.

Veja a íntegra da entrevista:

O STF suspendeu uma indicação do seu governo ao TCE, em uma liminar do Dino, e nomeações de familiares do senhor em cargos públicos, em decisão do ministro Alexandre de Moraes.

No caso do TCE, está atrapalhando muito o funcionamento da instituição, considero muito ruim para o estado. Tem um grupinho no estado ligado ao ministro (Dino) que cria essa situação e leva a nível de Supremo. O que a gente esperava é que não tivesse interferência do Supremo, lamento muito isso. É muito ruim o Judiciário entrar nessa esfera. Espero que seja resolvido. Tentei algumas vezes (falar com o ministro), mas não prosperou.

O senhor concorreu em 2014 e 2018 no Maranhão contra a família Sarney, de quem agora se aproximou. O que mudou?

Nós disputamos em 2014 contra o Lobão Filho e em 2018 contra a Roseana Sarney, só que em 2022 eu me aproximei muito do grupo do presidente José Sarney. Foram nossos adversários por dois mandatos, mas hoje estamos muito próximos. Há pessoas do MDB que participam do meu governo, e eles entregaram a presidência do partido para o meu irmão (Marcus Brandão). Estamos alinhados. (…) O Flávio sempre foi muito ferrenho adversário dos Sarney, é uma pessoa mais ideológica. Eu não sou assim, tenho boa relação com os evangélicos, com o agro. Eles me adoram.

Falta ao presidente Lula mais diálogo com esses segmentos?

Eu disse ao presidente sobre essa questão dos evangélicos e do agro. Deixar essa questão ideológica um pouco de lado. O ministro (Carlos) Fávaro é do agro, uma boa ponte.

Não há um risco de os partidos mais de centro começarem a abandonar o governo?

Me parece que o Ciro (Nogueira, presidente do PP) deu entrevista falando sobre isso. Mas o próprio ministro (do Esporte, André) Fufuca (PP-MA), com quem eu conversei, me disse que não, que essa entrevista foi mal interpretada. Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil do Bolsonaro. Agora, se perguntar ao Fufuca, ele não quer sair do governo, não.

Ao GLOBO, Sarney disse que “é melhor sair da política muito bem do que já velho”, em um recado a Lula . Concorda?

O mais importante, além da idade, é a saúde. Vejo o presidente Lula saudável e ainda é um grande líder. Houve uma pequena perda de popularidade, mas isso é coisa passageira. Governo tem altos e baixos.

Por que a queda de avaliação de Lula chegou ao Nordeste, onde o PT é historicamente mais forte?

Isto é principalmente devido à alta dos alimentos, que atinge todo mundo, em especial as classes menos favorecidas. Mas acho que vai melhorar com a proposta do governo de zerar o ICMS de todos os produtos da cesta básica. Eu mesmo já fiz duas reduções de ICMS nos últimos anos, que diminuíram em 30% o custo da cesta básica no Maranhão. Este também será o ano de tirar do papel as obras do Novo PAC, o que vai melhorar a avaliação do governo. Só no nosso estado foram quase sete mil casas do Minha Casa Minha Vida que estavam paradas.

Cenário mais polarizado exige uma pressa maior nas entregas?

Exige. Eu mesmo estou num ritmo muito acelerado. Estruturei o Maranhão, porque com a queda do ICMS dos combustíveis, quase quebrou o estado. Foi uma demagogia, à época, do presidente Bolsonaro.

Mas zerar o ICMS dos alimentos não vai também prejudicar a arrecadação dos estados?

Vai aumentar o consumo, isso acaba aquecendo a economia. É a história da bicicleta: se você para de pedalar, cai. Essa medida tem que ser tomada.

O quanto o apoio do PSB a Lula em 2026 depende de Geraldo Alckmin seguir na vice?

Eu estou alinhado ao presidente Lula. Não sei qual será a posição do meu partido. A presidência do PSB vai mudar, ainda não sei o que o (prefeito de Recife) João Campos pensa. Uma decisão dessas se dá mais perto da eleição.

 

Flávio Dino completa um ano no STF e celebra trajetória na Suprema Corte

Ministro Flávio Dino

Hoje, 21 de fevereiro de 2025, o ministro Flávio Dino celebra um ano de atuação no Supremo Tribunal Federal (STF). Em suas redes sociais, ele expressou gratidão: “Há um ano mudava de espaço de atuação profissional para ingressar no Supremo Tribunal Federal, onde voltei a exercer – com honra e alegria – a função de Juiz. Agradeço a Deus e a todas as pessoas que me ajudaram nessa caminhada, especialmente aos meus colegas no STF, que tanto me ensinam, todos os dias.”

Dino foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 27 de novembro de 2023, após a aposentadoria da ministra Rosa Weber. Sua indicação foi aprovada pelo Senado em 13 de dezembro do mesmo ano, com 47 votos favoráveis e 31 contrários. Ele tomou posse em 22 de fevereiro de 2024, retornando à magistratura após 18 anos desde que deixou o cargo de juiz federal em 2006.

A trajetória de Flávio Dino inclui experiências nos três Poderes da República. Antes de ingressar no STF, foi juiz federal por 12 anos, deputado federal pelo Maranhão, governador do estado, e, embora tenha sido eleito senador, optou por não assumir o cargo para aceitar o convite para ser ministro da Justiça e Segurança Pública.

Flávio Dino barra processo de votação na Alema para escolha do conselheiro do TCE-MA

Flávio Costa

Nesta segunda-feira (10), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão imediata do processo de escolha de Flávio Costa como novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA).

A decisão atende uma ação do Solidariedade, que acionou o STF contra a indicação de Flávio Costa, nome escolhido pelo governador Carlos Brandão. O partido questiona a legalidade do sigilo imposto à votação.

Conforme a decisão de Dino, a suspensão do processo de aprovação do novo conselheiro do TCE-MA segue até que a Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA) apresente informações sobre a tramitação da votação.

“Até que tal manifestação da Assembleia seja apresentada, inclusive com o atendimento da requisição de prova documental, deverá o processo parlamentar sobre tal vaga no TCE ficar suspenso, nos termos do artigo 77, inciso VI, do CPC, evitando-se a declaração de nulidades e demais sanções legais”, assinalou Dino.

Flávio Costa foi sabatinado na nesta sexta-feira (7) na Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), sob condução da Comissão de Orçamento, Finanças, Fiscalização e Controle.

Operação Overclean, que revelou desvio de R$ 39,3 milhões no MA, pode ter Dino como relator no STF

Ministro Flávio Dino

O caso, que envolve corrupção, lavagem de dinheiro e contratos fraudulentos de engenharia, foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido à presença de parlamentares com foro privilegiado entre os investigados. A Justiça Federal na Bahia pediu que o ministro Flávio Dino assuma a relatoria da operação, considerando sua conexão com investigações anteriores sobre o uso irregular de emendas parlamentares.

A decisão está sob análise do ministro Kassio Nunes Marques, atualmente relator do processo.

Uma planilha apreendida pela Polícia Federal (PF) revelou a participação do Maranhão em um esquema milionário de fraudes em licitações e desvios de emendas parlamentares. A Operação Overclean, liderada pelo empresário Marcos Moura, o “Rei do Lixo”, investiga movimentações financeiras suspeitas que ultrapassam R$ 824,5 milhões em 12 estados, sendo R$ 39,3 milhões no Maranhão.

 

Pelo menos 170 municípios maranhenses não vão receber as emendas de comissão


Ao menos 170 prefeituras maranhenses não receberão emendas de comissão do Congresso, após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os municípios maranhenses deixarão de receber pelo menos R$ 780 milhões.  Flávio Dino suspendeu, no último dia 23, o pagamentos das emendas, no montante de R$ 4,2 bilhões, e também autorizou investigação pela Polícia Federal para apurar como esses recursos foram liberados.

São Luís, Caxias, São José de Ribamar, Chapadinha, Imperatriz e Tuntum estão entre as prefeituras do Maranhão mais prejudicadas. Na capital maranhense, as verbas seriam destinadas para Saúde, Turismo, Cidade, Esporte e Desenvolvimento Regional. Confira, abaixo, a lista dos municípios maranhenses que não irão receber as emendas.

Açailândia, Afonso Cunha, Água Doce do Maranhão, Aldeias Altas, Altamira do Maranhão, Alto Alegre do Maranhão, Amapá do Maranhão, Amarante do Maranhão, Anajatuba, Apicum-Açu, Araguanã, Arame, Arari, Bacabal, Bacabeira, Balsas, Barão de Grajau, Barra do Corda, Barreirinhas, Bela Vista do Maranhão, Boa Vista do Gurupi, Bom Jardim, Bom Jesus Das Selvas, Bom Lugar, Brejo, Brejo de Areia, Buriti, Buriticupu, Buritirana, Cachoeira Grande, Cajapió, Cajari, Campestre do Maranhão, Cantanhede, Capinzal Do Norte, Carolina, Carutapera, Caxias, Cedral, Central do Maranhão, Chapadinha, Cidelândia, Codó ,Coelho Neto, Colinas, Conceição do Lago-Açu, Coroatá, Cururupu, Davinópolis, Dom Pedro, Duque Bacelar, Esperantinópolis, Estreito, Fernando Falcão, Formosa da Serra Negra, Fortuna, Godofredo Viana, Gonçalves Dias, Governador Archer, Governador Edison Lobão, Governador Eugênio Barros, Governador Luiz Rocha, Governador Newton Bello, Governador Nunes Freire, Grajaú, Guimarães, Icatu, Igarapé do Meio, Igarapé Grande, Imperatriz, Itaipava do Grajaú, Jenipapo Dos Vieiras, João Lisboa, Joselândia, Lago da Pedra, Lago do Junco, Lago dos Rodrigues, Lima Campos, Loreto, Magalhães de Almeida, Maracaçumé, Marajá do Sena, São Luís, Maranhãozinho, Mata Roma, Matinha, Matões, Matões do Norte, Milagres Do Maranhão, Mirador, Miranda do Norte, Montes Altos, Morros, Nina Rodrigues, Nova Colinas, Nova Iorque, Nova Olinda Do Maranhão, Olho D’agua das Cunhas, Olinda Nova do Maranhão, Palmeirândia, Paraibano, Parnarama, Passagem Franca, Pastos Bons, Paulino Neves, Paulo Ramos, Pedro do Rosário, Penalva, Peri Mirim, Peritoró, Pindaré-Mirim, Pinheiro, Pio XII, Pirapemas, Presidente Dutra, Presidente Juscelino, Presidente Médici, Presidente Sarney, Presidente Vargas, Primeira Cruz, Raposa, Ribamar Fiquene, Rosário, Santa Helena, Santa Inês, Santa Luzia, Santa Luzia do Paruá, Santa Quitéria do Maranhão, Santa Rita, Santo Amaro do Maranhão, São Benedito do Rio Preto, São Bento, São Bernardo, São Domingos do Azeitão, São Domingos do Maranhão, São Francisco do Brejão, São Joao Batista, São Joao Do Caru, São Joao do Sóter, São Joao dos Patos, São Jose de Ribamar, São Luís Gonzaga do Maranhão, Saã Mateus do Maranhão, São Pedro dos Crentes, São Raimundo das Mangabeiras, São Raimundo do Doca Bezerra, São Roberto, São Vicente Ferrer, Satubinha, Senador Alexandre Costa, Serrano do Maranhão, Sítio Novo, Sucupira do Riachão, Tasso Fragoso, Timbiras, Timon, Trizidela do Vale, Tufilândia, Tuntum, Turiaçu, Turilândia, Tutóia, Urbano Santos, Vargem Grande, Viana, Vila Nova dos Martírios, Vitoria Do Mearim, Vitorino Freire e Zé Doca.

Flávio Dino determina a suspensão do pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas

Nesta segunda-feira (23), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão, que estavam previstas para ser pagas ainda este ano. Dino também autorizou a abertura de uma investigação para apurar possíveis irregularidades no repasse dessas verbas.

A decisão de Dino foi motivada após o PSOL  apresentar um pedido de análise sobre a destinação desses recursos. O partido alega falta de transparência e direcionamento político. Conforme o despacho do ministro, a Câmara dos Deputados tem até cinco dias para publicar as atas das reuniões das comissões que aprovaram as 5,4 mil emendas.

Dino também determinou que o pagamento das emendas só será liberado após o Congresso cumprir critérios de transparência e rastreabilidade previamente definidos pelo STF. A execução das emendas compete ao Poder Executivo, que autoriza os recursos conforme o planejamento e as indicações feitas pelos parlamentares.

Dino libera retomada das emendas parlamentares e destrava R$ 25 bilhões no Orçamento

Ministro Flávio Dino

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (2) a retomada do pagamento das emendas parlamentares, que estavam bloqueadas desde agosto. O veto temporário havia sido imposto pelo próprio magistrado devido à necessidade de adequação às exigências constitucionais de transparência e rastreabilidade.

Com a decisão, cerca de R$ 25 bilhões represados no Orçamento da União poderão ser redistribuídos, atendendo a regras específicas. As chamadas emendas de relator (RP 9) e de comissão (RP 8) deverão ser identificadas nominalmente, enquanto as emendas conhecidas como “Pix” dependerão da apresentação prévia de um plano de trabalho. Para recursos aprovados antes de 2025, será concedido um prazo de 60 dias para que eventuais lacunas no planejamento sejam corrigidas. Além disso, as emendas de bancada agora exigirão individualização e novas regras determinam que todas as transferências futuras sejam vinculadas a planos específicos e contas designadas.

Reflexos no Congresso Nacional

A liberação das emendas ocorre em um momento estratégico para o governo federal, que enfrenta desafios na tramitação de pautas importantes no Congresso Nacional. A paralisação dos recursos havia gerado insatisfação entre os parlamentares, que pressionavam pela regularização antes do encerramento do ano legislativo.

“Essa decisão restabelece um equilíbrio necessário entre as prerrogativas do Legislativo e o controle constitucional. O objetivo é assegurar que os recursos sejam aplicados de forma clara e eficiente”, destacou Dino em sua decisão.

A decisão de Dino também sinaliza o fortalecimento das demandas por maior controle e transparência na aplicação das emendas parlamentares, que há anos enfrentam críticas por sua falta de fiscalização.

Com a retomada dos repasses, espera-se uma corrida contra o tempo para que os parlamentares regularizem as pendências relativas ao uso dos recursos. O prazo apertado, somado à pressão política, poderá exigir maior articulação entre os poderes para garantir a execução orçamentária ainda este ano.