Corregedoria do MA investiga titular de cartório por suspeita de fraudes e sonegação fiscal

Desembargadora Ângela Salazar

A Corregedoria-Geral do Foro Extrajudicial do Maranhão, sob a condução da desembargadora Ângela  Salazar, instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra João Monteiro do Vale, titular do 1º Ofício de Alto Parnaíba. A decisão atende a um pedido do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e investiga se o tabelião descumpriu deveres fundamentais da profissão, como a fiscalização de tributos e a checagem rigorosa de documentos.

A investigação apura três graves irregularidades. A primeira envolve uma escritura de 2011 que transferiu bens de uma viúva sem a participação ou autorização dela. A segunda aponta que, em 2020, o cartório validou um inventário sem exigir as procurações públicas necessárias e deu quitação a impostos obrigatórios (como ITCMD e ITBI) sem nenhuma comprovação de pagamento. Por fim, o tabelião é acusado de agir em favor de terceiros para tentar regularizar uma terra rural de 1.100 hectares usando documentos suspeitos de falsificação, apresentando depoimentos contraditórios logo após a denúncia de fraude vir à tona.

O Tribunal de Justiça do Maranhão agora conduzirá a coleta de provas para avaliar se houve dolo ou culpa. Enquanto o processo avança, a Corregedoria determinou uma inspeção presencial e urgente no cartório para auditar todo o acervo de documentos e a regularidade dos serviços prestados.

MP investiga prefeito de Estreito por dispensa de licitação na Educação

Léo Cunha, prefeito de Estreito

O prefeito de Estreito, Leoarren Túlio de Sousa Cunha, o Leo Cunha, passou a ser alvo de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que apura suspeitas de fraudes e contratações realizadas sem licitação no âmbito da Secretaria Municipal de Educação.

A mira do promotor Reginaldo Júnior Carvalho está sobre a contratação direta de uma empresa para realizar capacitações de servidores da educação e de professores de língua inglesa. O MP quer saber por que a prefeitura ignorou a obrigatoriedade da concorrência pública e se houve superfaturamento nos serviços contratados.

Se as irregularidades no uso do dinheiro público forem comprovadas na Justiça, o prefeito e os secretários envolvidos podem responder criminalmente por dano aos cofres da cidade.

Moraes intima Roberto Rocha para depor em processo movido por Dino

Imagem gerada com IA

O ex-senador pelo Maranhão, Roberto Rocha, foi intimado a prestar depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 17 de junho, às 14h. A oitiva, que acontecerá de forma virtual por videoconferência, foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. O caso faz parte de uma ação penal onde Rocha é acusado de calúnia e difamação contra o também ministro do STF, Flávio Dino.

A convocação oficial só aconteceu após a Justiça encontrar barreiras para localizar o ex-parlamentar nos endereços cadastrados. Por conta dessa dificuldade de localização, o STF precisou recorrer à intimação por edital — recurso jurídico utilizado quando o réu está em lugar incerto ou não sabido. Além disso, consta nos registros do processo que Roberto Rocha perdeu o prazo estipulado pelo relator para apresentar sua defesa prévia.

O imbróglio jurídico começou em agosto de 2022, durante a corrida eleitoral em que os dois políticos maranhenses concorriam ao cargo de senador. Na época, Flávio Dino moveu uma queixa-crime após Rocha declarar, em uma sessão remota do Senado, que o ex-governador estaria usando de influência política junto à Procuradoria-Geral de Justiça do Maranhão para coagir prefeitos a apoiarem sua campanha.

*Com informações extraídas originalmente do blog do John Cutrim.

Ex-secretário atribui pressão nos Socorrões a falhas estruturais da saúde de São Luís

Ex-secretário de Estado da Saúde do Maranhão, Tiago Fernandes

O ex-secretário de Estado da Saúde do Maranhão, Tiago Fernandes, rebateu as críticas lançadas pelo grupo do ex-prefeito Eduardo Braide, que atribuem ao fluxo de pacientes do interior a principal causa da superlotação dos hospitais Socorrão I e II, em São Luís. Em manifestação pública, ele defendeu um debate baseado em dados e apontou problemas estruturais da rede municipal de saúde como fatores que também contribuem para a pressão sobre as unidades de urgência e emergência da capital.

Segundo Fernandes, a baixa cobertura da atenção primária em São Luís tem levado pacientes que poderiam ser atendidos nas unidades básicas a procurar diretamente os hospitais. Ele destacou que a capital maranhense ocupa a última posição entre as capitais do Nordeste nesse indicador, enquanto o Maranhão avançou para as primeiras colocações da região nos últimos anos.

O ex-secretário também afirmou que o Governo do Estado chegou a oferecer a estrutura do Hospital da Ilha para receber pacientes de AVC e queimados, com o objetivo de desafogar os Socorrões, mas a proposta não foi aceita pela Prefeitura de São Luís por divergências sobre os perfis de atendimento.

Ao contestar a tese de que o interior seria o principal responsável pela superlotação, Fernandes ressaltou os investimentos realizados pelo Estado na descentralização da saúde, como a ampliação dos serviços de hemodiálise, implantação de UPAs e policlínicas, mutirões de cirurgias e entrega de ambulâncias. Para ele, a crise exige uma análise mais ampla, que considere tanto a demanda regional quanto os desafios estruturais da rede municipal da capital.

Prefeitura de São Luís é condenada por destruir área para hospital que nunca saiu do papel

Sede da Prefeitura de São Luís

A Justiça condenou a Prefeitura de São Luís a recuperar uma área de quase 99 mil metros quadrados degradada durante uma obra que nunca foi concluída no bairro Alto do Calhau. A decisão é do juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, e foi proferida no último dia 6 de junho.

Além de elaborar e executar um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), o município terá que realizar obras de engenharia ambiental, retirar entulhos, restos de materiais de construção e estruturas de concreto abandonadas no local, além de promover o reflorestamento completo da área.

A sentença também determina o pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e ambientais ao Fundo Estadual de Proteção dos Direitos Difusos.

A ação foi movida pelo Ministério Público após investigação apontar que a degradação ocorreu em uma área onde a Prefeitura pretendia construir o Hospital Central de Emergência, próximo à Avenida Luís Eduardo Magalhães. Em 2012, o município iniciou a implantação do projeto, realizou terraplanagem e suprimiu a vegetação nativa, mas posteriormente abandonou a obra.

Segundo o Ministério Público, o terreno ficou sem qualquer medida de contenção ou drenagem, provocando erosões e o deslocamento de sedimentos para áreas de preservação permanente ligadas ao Rio Calhau.

Na decisão, o juiz afirmou que a conduta do município teve “elevada reprovabilidade social e administrativa”. Para ele, a Prefeitura não apenas causou impactos ambientais significativos, como também deixou de adotar providências para reparar os danos, mesmo após sucessivas vistorias e alertas dos órgãos de fiscalização.

“A inércia prolongada da administração municipal demonstra descaso com os recursos hídricos urbanos e com as áreas de proteção ambiental da cidade”, destacou o magistrado.

Parecer abre caminho para criação de entidade de vereadores financiada com verba das câmaras

Foto Reprodução

Um parecer jurídico da Procuradoria-Geral da Câmara de Amarante do Maranhão abriu caminho para a criação de uma associação regional de câmaras e vereadores custeada com recursos públicos dos Legislativos municipais. Embora o entendimento aponte legalidade na medida, a iniciativa também levanta questionamentos sobre transparência, fiscalização e concentração de influência política.

A consulta encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), obtida em primeira mão pelo Blog do Minard, trata da possibilidade de criação de uma entidade privada sem fins lucrativos destinada a representar os interesses comuns das câmaras municipais. O parecer técnico conclui que as casas legislativas poderão utilizar recursos do duodécimo para custear as contribuições financeiras à futura associação.

Na prática, a autorização pode resultar na formação de uma estrutura financiada por dezenas ou até centenas de câmaras municipais. Dependendo do número de filiados e do valor das contribuições, a entidade poderá passar a administrar um orçamento significativo proveniente dos cofres públicos.

É justamente nesse ponto que surgem os principais alertas. Especialistas em administração pública costumam destacar a necessidade de mecanismos rigorosos de controle sobre entidades privadas mantidas com recursos públicos, especialmente quanto à prestação de contas, definição dos gastos e fiscalização dos dirigentes.

Embora o parecer ressalte a necessidade de transparência, previsão orçamentária e fiscalização, a discussão deve avançar para além da legalidade formal. O debate passa também pelo interesse público e pela demonstração de que os recursos empregados produzirão benefícios concretos para os Legislativos municipais e para a população.

O documento conclui pela viabilidade da criação da entidade e pela possibilidade de utilização de recursos do duodécimo para custear as contribuições associativas, desde que observados os princípios da legalidade.

Agora, resta aguardar o posicionamento do Tribunal de Contas do Estado, que deverá dizer se acompanha ou não o entendimento apresentado pela Procuradoria da Câmara de Amarante do Maranhão.

 

Shows de Mano Walter e Solange Almeida vão abocanhar R$ 840 mil dos cofres de São Luís

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Em edição extra do Diário Oficial do Município publicada nesta segunda-feira (8), a Secretaria Municipal de Cultura, oficializou a contratação de atrações de peso nacional para o “São João de São Luís 2026”, na Praça Maria Aragão, além de um repasse expressivo para festividades de bairro, somando quase 2 milhões de reais em atos carimbados sem licitação.

Os extratos de contrato revelam que o cantor Mano Walter vai receber um cachê de 440 mil reais por sua apresentação. A contratação foi firmada com a empresa Nova Produções e Eventos por meio de inexigibilidade de licitação. Com o mesmo modelo jurídico, a cantora Solange Almeida foi contratada por 400 mil reais para se apresentar no dia 14 de junho, sob a responsabilidade da Sol Produções e Administração Artística. Juntos, os dois artistas custarão 840 mil reais aos cofres municipais por apenas duas noites de evento.

O volume de recursos sem licitação ganha proporções ainda maiores com a publicação do Termo de Colaboração número 303/2026. A pasta comandada pela secretária Sheury Manuela Silva Neves destinou 896 mil e 49 reais ao Instituto Social e Educacional Renascer para o planejamento e a execução do projeto “São João no Bairro 2026”.

O Renascer foi alvo de uma operação do Gaeco em 2019, que investigava supostas fraudes em documentos utilizados para firmar convênios com secretarias municipais de São Luís por meio de emendas parlamentares. Na ocasião, houve cumprimento de mandados de busca e apreensão e a prisão temporária de um contador ligado ao caso. A responsável pela entidade, Isadora Pestana Rocha, negou as acusações.

Qual é o ‘Tranca-Rua’ que impede Lahesio de embarcar de vez na chapa de Braide?

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A decisão de Lahesio Bonfim em recuar da disputa pelo governo do Maranhão para embarcar na chapa de Eduardo Braide rumo ao Senado não é mera especulação. Trata-se de um fato concreto, inclusive adiantado por este blog. Contudo, existe um “Tranca-Rua” que vem dificultando esse anúncio de uma vez por todas.

Na noite da última segunda-feira, dia 8, o radialista Marcello Minard revelou no Leriado Cast os bastidores dessas negociações e apontou detalhadamente o verdadeiro obstáculo que trava a consolidação dessa aliança.

Assista abaixo ao comentário completo de Marcello Minard e entenda o nó tático que mexe com o cenário político maranhense:

Justiça cassa prefeito e vice por abuso de poder e determina novas eleições em Turiaçu

A 39ª Zona Eleitoral de Turiaçu determinou a realização de novas eleições majoritárias no município após cassar os diplomas do prefeito Edésio João Cavalcanti e do vice-prefeito Adonilson Alves Rabelo.

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O juiz Jacqueson Ferreira Alves dos Santos julgou procedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e declarou ambos inelegíveis por oito anos. A decisão também atingiu Carla Patrícia dos Santos Cunha e Bianca Gonçalves Castro, que tiveram os diplomas cassados e foram declaradas inelegíveis pelo mesmo período por participação direta nas irregularidades. O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) já foi comunicado para organizar o novo pleito.

Esta é a segunda condenação de cassação contra a chapa de Edésio Cavalcanti, agravando a instabilidade política na cidade. A ação, movida pela Coligação Pela Liberdade de Turiaçu, acusou o grupo de abuso de poder político e econômico em 2024.

O pivô do escândalo foi a distribuição gratuita de peixes na Semana Santa daquele ano, custeada com dinheiro público para promoção pessoal do prefeito, sem o respaldo de qualquer programa social instituído por lei específica.

A gravidade do caso ficou evidente na escalada de gastos da prefeitura com pescado. O município saltou de um investimento de R$ 17.150,00 em 2021 para R$ 194.287,50 em 2023, atingindo a marca de R$ 546.630,00 justamente no ano eleitoral de 2024.

Além de convocar novas eleições para a prefeitura após o esgotamento dos recursos, a sentença determinou a retotalização dos votos das eleições para vereador, excluindo os votos atribuídos às candidatas Carla e Bianca.

Edinho Silva rebate ministro e crava: “Palanque de Lula no Maranhão é o de Camarão”

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Uma declaração do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, sobre a estratégia eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026 provocou reação imediata da direção nacional do PT. Após o ministro afirmar que Lula poderá contar com mais de um palanque em estados como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, tratou de delimitar a posição petista no estado maranhense.

Em entrevista ao jornal O Globo, Wellington Dias, que também coordena a campanha de reeleição do presidente, afirmou que a articulação política está sendo construída em diferentes cenários estaduais e citou o Maranhão entre os locais onde Lula poderia ter apoio de mais de uma candidatura.

“Estamos trabalhando com mais de um palanque em vários estados: Maranhão, Paraíba, Pernambuco…”, declarou o ministro.

A fala, no entanto, foi prontamente contestada por Edinho Silva. Em nota, o dirigente nacional do PT afirmou que não existe discussão sobre palanque duplo no Maranhão e reforçou que o projeto do partido no estado está representado pelo vice-governador Felipe Camarão, pré-candidato ao Palácio dos Leões.

Segundo Edinho, apesar da boa relação política e institucional entre Lula e o governador Carlos Brandão (MDB), isso não altera o posicionamento eleitoral da legenda para a disputa estadual.

“No Maranhão, o palanque do presidente Lula é único: é o palanque de Felipe Camarão. O presidente sempre teve uma ótima relação com o governador Brandão, e isso é importante, mas não significa palanque duplo”, afirmou.

A manifestação do presidente nacional do PT ocorre em um momento de intensa movimentação nos bastidores da sucessão estadual e sinaliza que a direção petista pretende consolidar Felipe Camarão como principal representante do projeto político de Lula no Maranhão.