Herança de Braide: licitação do transporte engavetada na antiga gestão segue parada com Esmênia

Esmênia e Eduardo Braide

A crise do transporte coletivo de São Luís continua sendo um dos principais desafios da administração municipal. Mais de um ano após a Câmara Municipal autorizar a abertura de uma nova licitação do sistema, a solução definitiva ainda não saiu do papel e milhares de usuários seguem enfrentando problemas diariamente.

A promessa de reorganizar o transporte público atravessou a gestão do ex-prefeito Eduardo Braide, que deixou o cargo em março de 2026 para disputar o Governo do Maranhão. Durante mais de cinco anos à frente da Prefeitura, Braide enfrentou sucessivas greves de rodoviários, paralisações e críticas pela precariedade do serviço, mas não conseguiu concluir a principal medida apontada como necessária: uma nova concorrência para substituir o atual modelo de concessão.

A situação se agravou até chegar ao Judiciário. A Justiça declarou a caducidade do contrato do Consórcio Via SL, responsável por parte da operação do transporte da capital, após constatar falhas na prestação do serviço e descumprimento das obrigações previstas no contrato.

Com a decisão, a Prefeitura precisou adotar medidas emergenciais para garantir a circulação dos ônibus. Atualmente, sob o comando da prefeita Esmênia Miranda há três meses, o município segue utilizando contratos temporários enquanto tenta estruturar uma nova licitação.

A autorização para a mudança no sistema foi aprovada pela Câmara Municipal por meio da Lei Complementar nº 07/2025, sancionada após a crise no transporte se intensificar. A medida permitiu a realização de uma nova concorrência e a adoção de soluções emergenciais para evitar a interrupção do serviço.

Mesmo com a autorização legislativa, o processo definitivo ainda não foi concluído. A demora mantém São Luís em um cenário de incerteza, com um sistema que depende de medidas provisórias enquanto passageiros continuam cobrando melhorias.

Além da crise operacional, a antiga gestão também deixou pendências relacionadas à mobilidade urbana, incluindo o debate sobre o passe livre estudantil, aprovado pela população em plebiscito realizado nas eleições de 2024, mas que não avançou durante o governo Braide.

Agora, Esmênia enfrenta o desafio de reorganizar um sistema marcado por anos de problemas, enquanto a população espera por uma solução definitiva para um dos serviços públicos mais importantes da capital.

Protesto 

Foto Reprodução

Mesmo com a solução emergencial determinada pela Justiça, a insatisfação e os problemas no transporte coletivo de São Luís continuam afetando diretamente a população, que segue como a principal prejudicada pela falta de uma solução definitiva para o sistema.

Moradores das comunidades do Pão de Açúcar, Piquizeiro e regiões próximas denunciam que estão há mais de oito meses sem atendimento regular de transporte coletivo e cobram providências da Prefeitura de São Luís e da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT).

Em documento encaminhado às autoridades, os moradores relatam que a ausência das linhas tem provocado transtornos diários para trabalhadores, estudantes, idosos, pessoas com deficiência e mães que dependem do transporte público para garantir o deslocamento de suas famílias.

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