Ex-secretário diz que MA financia até 80% da saúde estadual e cobra maior participação da União

Foto Reprodução

O ex-secretário de Estado da Saúde, Tiago Fernandes, afirmou, em entrevista ao Imirante, que o principal desafio para a expansão do Sistema Único de Saúde (SUS) no Maranhão passa por uma revisão do modelo de financiamento da saúde pública. Em entrevista ao Imirante, ele declarou que, em alguns exercícios orçamentários, o Governo do Estado é responsável por custear até 80% da rede estadual de saúde, enquanto os repasses federais representam entre 20% e 30% dos recursos aplicados.

Segundo Tiago, essa realidade impõe um peso crescente aos cofres estaduais e limita a capacidade de expansão dos serviços, especialmente em áreas de alta complexidade.

“O SUS é uma das maiores políticas públicas do mundo, mas continua sendo subfinanciado. Não basta cobrar mais serviços; é preciso garantir recursos compatíveis com as responsabilidades de cada ente federativo”, afirmou.

Na avaliação do ex-secretário, apesar das restrições orçamentárias, o Maranhão conseguiu ampliar a oferta de cirurgias, fortalecer os hospitais regionais, expandir os serviços de hemodiálise e interiorizar atendimentos especializados, reduzindo a dependência da população da capital para procedimentos de maior complexidade.

Tiago também defendeu uma atuação mais integrada entre Estado e municípios. Segundo ele, o fortalecimento da atenção básica é decisivo para reduzir a pressão sobre hospitais e unidades de pronto atendimento, além de melhorar os indicadores de saúde.

Outro ponto destacado foi a necessidade de ampliar o número de especialistas em áreas como reumatologia e hematologia. Para enfrentar esse déficit, ele defendeu investimentos na formação de médicos, incentivo à atuação no interior, ampliação da telemedicina e organização das linhas de cuidado.

Ao fazer um balanço dos quatro anos em que comandou a Secretaria de Estado da Saúde, Tiago Fernandes afirmou que o próximo desafio não é apenas ampliar a estrutura da rede, mas consolidar os avanços alcançados por meio de planejamento, gestão eficiente e um modelo de financiamento mais equilibrado entre União, Estados e municípios.

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