
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Maranhão avançou, nesta terça-feira (2), na análise do pedido de quebra de sigilo bancário do vice-governador Felipe Camarão (PT) e dos demais investigados no inquérito que apura supostas irregularidades envolvendo a estrutura da Vice-Governadoria do Estado.
O requerimento, apresentado pelo relator da comissão, deputado Dr. Yglésio, recebeu apoio da maioria dos integrantes da CPI. No entanto, a deliberação foi temporariamente suspensa após o deputado Rodrigo Lago solicitar vista da matéria.
Com isso, a comissão deverá retomar a discussão do requerimento após o prazo previsto no regimento, estimado em até 48 horas, quando os membros poderão concluir a votação da medida.
A quebra de sigilo é considerada um dos atos mais relevantes em análise pela CPI, instalada para investigar denúncias de movimentações financeiras consideradas atípicas, supostos repasses de recursos a terceiros e eventual utilização da estrutura administrativa da Vice-Governadoria, da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e de outros órgãos públicos em um possível esquema de desvio de recursos e lavagem de dinheiro.
Desde o início dos trabalhos, a comissão também aprovou requerimentos para solicitar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), ao Ministério Público do Maranhão (MP-MA) e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) cópias de investigações, relatórios e documentos relacionados ao caso.
Nos bastidores, integrantes da CPI afirmam que há maioria favorável ao requerimento de quebra de sigilo, mas a decisão final dependerá da conclusão da análise após o prazo de vista solicitado pelo parlamentar.
Sobre a CPI
A CPI foi criada após a aprovação do Requerimento nº 086/2026, de autoria do deputado Dr. Yglésio. O documento cita a existência do Procedimento Investigatório Criminal nº 025065-750/2025, instaurado pelo Ministério Público do Maranhão e atualmente em tramitação no Tribunal de Justiça do Maranhão.
De acordo com o requerimento que deu origem à comissão, relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf e diligências realizadas pelo Ministério Público apontariam, em tese, indícios da prática de lavagem de capitais e outros ilícitos relacionados à Administração Pública. As investigações mencionam movimentações financeiras suspeitas e possíveis repasses envolvendo pessoas ligadas ao atual vice-governador.