PF: pai de Vorcaro liderava A Turma – milícia pessoal do banqueiro

Foto Reprodução

A prisão de Henrique Moura Vorcaro, realizada nesta quinta-feira durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, aprofundou as suspeitas sobre a existência de uma estrutura clandestina ligada ao antigo Banco Master. Pai de Daniel Vorcaro, Henrique é apontado pela Polícia Federal como uma das figuras centrais do grupo conhecido como “A Turma”, organização descrita pelos investigadores como uma espécie de milícia privada utilizada para intimidar adversários, monitorar desafetos e acessar informações sigilosas.

De acordo com a investigação, “A Turma” e outro núcleo chamado “Os Meninos” atuavam de forma coordenada em ações de espionagem, pressão psicológica e ameaças, sempre em benefício dos interesses da família Vorcaro. Relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal indicam que Henrique não apenas tinha conhecimento das operações ilegais, mas também financiava e mantinha contato constante com integrantes do grupo, mesmo após o avanço das investigações federais.

A decisão de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, que destacou a forte ligação funcional entre Henrique Vorcaro e os operadores da organização. Segundo o magistrado, as evidências apontam que o empresário exercia influência direta sobre a manutenção das atividades criminosas.

As suspeitas ganharam força após a extração de mensagens do celular do próprio Daniel Vorcaro e também do aparelho do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Para a PF, Marilson era um dos principais articuladores operacionais do grupo, responsável por executar ações de intimidação e obter dados confidenciais de investigações em andamento. O material apreendido sugere ainda que servidores públicos teriam sido pagos para fornecer informações sigilosas sobre apurações envolvendo os Vorcaro.

Entre os presos está o policial federal Anderson da Silva Lima, lotado na superintendência da PF no Rio de Janeiro. Conforme os investigadores, ele utilizava sua posição para consultar bancos de dados internos e monitorar investigações de interesse da organização. A PF afirma que o agente acionava contatos dentro da corporação para levantar detalhes reservados sobre operações policiais.

Outro nome considerado estratégico pela investigação é Felipe Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. Ele teria exercido função de gerenciamento dentro da estrutura criminosa e já havia sido preso em uma fase anterior da operação. Mourão morreu após cometer suicídio na cela onde estava detido, na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte.

As investigações também revelaram possíveis conexões do grupo com integrantes ligados ao jogo do bicho no Rio de Janeiro. Manoel Mendes Rodrigues, preso nesta quinta-feira, é suspeito de comandar uma célula da organização no estado fluminense. Testemunhas afirmaram que ele teria feito ameaças de morte contra funcionários de um iate e um restaurante em Angra dos Reis, alegando ser próximo de Vorcaro e possuir influência no submundo do crime organizado.

Na área digital, a PF aponta David Henrique Alves como responsável por contratar hackers para realizar invasões virtuais, monitoramento ilegal e ataques contra perfis em redes sociais. Ele foi preso anteriormente enquanto transportava computadores e equipamentos eletrônicos que, segundo os investigadores, poderiam ser destruídos para eliminar provas. Também foram detidos Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier, apontados como executores das ações cibernéticas.

Ao todo, sete pessoas foram presas na nova fase da Operação Compliance Zero: Anderson da Silva Lima, David Henrique Alves, Henrique Moura Vorcaro, Manoel Mendes Rodrigues, Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Sebastião Monteiro Júnior.

A defesa de Henrique Vorcaro criticou duramente a decisão judicial. Em nota, os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta classificaram a prisão como precipitada e desnecessária, afirmando que o empresário sequer havia sido ouvido formalmente antes da medida cautelar ser decretada. Segundo eles, a investigação estaria baseada em fatos ainda não devidamente comprovados e sem análise aprofundada da documentação econômica relacionada ao caso.

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