Transporte em colapso: população de São Luís segue pagando a conta da crise deixada por Braide

Foto Reprodução

A crise no transporte público de São Luís está longe de ser novidade para quem depende diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar ou se deslocar pela cidade. O caos registrado nesta quarta-feira (29), com passageiros enfrentando ônibus lotados, atrasos e longas esperas no terminal do Cohatrac IV, é apenas mais um retrato de um problema antigo que há anos castiga a população.

A situação atual é resultado de um sistema que já vinha dando sinais de desgaste há muito tempo durante a gestão do ex-prefeito Eduardo Braide, que deixou a Prefeitura para disputar o Governo do Maranhão. Ao longo dos últimos anos, passageiros conviveram com redução de frota, paralisações, atrasos constantes e falta de fiscalização efetiva no transporte coletivo da capital.

Agora, a crise caiu no colo da atual prefeita, Esmênia Miranda, vice que assumiu a administração municipal em meio ao colapso do sistema. E apesar da gravidade da situação, a população ainda não viu medidas efetivas capazes de resolver o problema de forma definitiva.

A  SMTT declarou a caducidade imediata do contrato com a Via SL, responsável pelas linhas do chamado Lote 2, após decisão judicial que apontou falhas graves e colapso operacional no serviço. A medida era necessária e já vinha sendo cobrada por usuários cansados da precariedade do transporte público.

Mesmo assim, o cenário nas ruas continua sendo de caos.

Passageiros relatam falta de organização, ônibus superlotados e incerteza sobre horários e funcionamento das linhas. Em alguns casos, usuários precisaram recorrer a integrações improvisadas para conseguir chegar ao destino.

Embora a gestão municipal tenha anunciado medidas emergenciais, como requisição de ônibus e possibilidade de contratação temporária de empresas, ainda não existe um plano claro para reestruturar o sistema. Até agora, também não houve anúncio concreto sobre uma nova licitação capaz de garantir estabilidade e qualidade no transporte público da capital.

E é justamente essa falta de resposta efetiva que aumenta a revolta da população.

Quem depende do transporte coletivo continua acordando sem saber se conseguirá chegar ao trabalho no horário. Estudantes seguem enfrentando superlotação e demora. Trabalhadores perdem horas em paradas esperando ônibus que muitas vezes nem passam.

A crise do transporte em São Luís deixou de ser apenas um problema de mobilidade urbana. Hoje, ela representa o retrato do abandono enfrentado diariamente por milhares de pessoas que dependem de um serviço essencial e que, há anos, opera em situação precária.

Enquanto o poder público troca promessas e medidas emergenciais, a população continua presa ao mesmo problema — sem solução definitiva e pagando, todos os dias, o preço do descaso no transporte coletivo da capital maranhense.

 

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