Idosa denuncia descaso na Cemarc de São Luís e expõe sofrimento enfrentado por usuários do SUS

A Cemarc de São Luís continua a ser o cenário de um roteiro de humilhação para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para a população idosa.

Imagem gerada prlo Blog do Minard

Uma idosa procurou o Blog do Minard para denunciar mais uma situação de descaso vivida por quem depende da Central de Marcação de Consultas, Exames e Cirurgias (Cemarc) da Alemanha, gerenciada pela Secretaria Municipal de Saúde de São Luís.

Segundo o relato, a idosa saiu de casa por volta das 5h30 da manhã, precisando pagar um carro por aplicativo para conseguir chegar à unidade às 6h. Ao chegar ao local, ela conseguiu pegar uma senha e era a décima pessoa da fila para a marcação de exames laboratoriais. No entanto, quando finalmente foi chamada para o atendimento, uma funcionária identificada como Assunção informou que não havia mais vagas disponíveis para a realização da marcação dos exames.

A situação revoltou a idosa, principalmente porque, no dia anterior, ela havia procurado informações na própria Cemarc e foi orientada a retornar cedo, pela manhã, porque os exames laboratoriais seriam marcados naquele horário. Seguindo exatamente a orientação recebida, ela enfrentou a madrugada, gastos com transporte e horas de espera apenas para ouvir que não existiam mais vagas.

O caso expõe um problema antigo e recorrente enfrentado pela população de São Luís, especialmente pelos idosos, que representam grande parte do público que procura diariamente a Cemarc.

É inadmissível que pessoas idosas precisem sair de casa ainda de madrugada — muitas vezes sem segurança, enfrentando  cansaço e longas filas — para tentar garantir um direito básico à saúde. Há relatos frequentes de pessoas que chegam ainda durante a madrugada e até dormem nas filas na tentativa de conseguir atendimento

A reportagem do blog entrou em contato com a Secretaria de Comunicação para questionar quantas vagas estão sendo disponibilizadas diariamente para a realização de exames laboratoriais e como uma unidade pública de marcação não consegue atender sequer dez pacientes por dia em um serviço considerado essencial. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno da pasta.

Mesmo que existissem apenas dez senhas disponíveis, isso já seria insuficiente diante da enorme demanda da população. O cenário demonstra desorganização, falta de planejamento e, principalmente, ausência de sensibilidade com os usuários do SUS.

O atendimento de saúde pública precisa ser humanizado. A Secretaria Municipal de Saúde deveria oferecer mecanismos mais dignos e eficientes para garantir acesso aos exames e consultas, especialmente para idosos, que já enfrentam limitações físicas e dificuldades de locomoção.

O problema da saúde pública em São Luís não é recente. Ele atravessa gestões e continua afetando diretamente a população mais vulnerável. Mesmo após deixar o cargo para disputar o Governo do Estado, Eduardo Braide deixou pendências graves na área da saúde da capital..

A população não pode continuar sendo submetida a esse tipo de humilhação para conseguir acesso a exames e atendimentos básicos. O caso de Maria de Fátima representa a realidade de muitos outros cidadãos que diariamente enfrentam filas, desinformação e a precariedade do sistema público de saúde em São Luís.

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