
Documentos obtidos pelo Observatório da Blogosfera revelam que a empresa 99 Tecnologia Ltda emitiu uma nota de débito à Prefeitura Municipal de São Luís no valor de R$ 7.649.681,02. A cobrança, direcionada ao gabinete da prefeita Esmênia Miranda, refere-se aos serviços de transporte por aplicativo prestados em março de 2026, sob o regime de Credenciamento Emergencial (Nº 1/2025), instituído pela gestão anterior de Eduardo Braide.
O montante é decorrente de um volume expressivo de deslocamentos urbanos subsidiados pela municipalidade em um único mês. O modelo de serviço baseia-se na oferta de dois vouchers diários por usuário, com desconto unitário de até R$ 30,00, somando um total de 303.744 viagens.
Divergências Técnicas
Acompanhando a nota de cobrança, a 99 Tecnologia enviou um ofício em resposta às análises técnicas das secretarias municipais (SEMUT e SMTT). O documento funciona como uma confissão de inconsistências que inflaram o custo final do serviço. Ao optar por uma plataforma digital sem mecanismos rígidos de controle, a gestão Eduardo Braide assumiu um risco financeiro que agora recai sobre o erário.
Viagens em Horário Restrito: A empresa admitiu a realização de corridas entre 00h e 05h, período que extrapola os limites estabelecidos no Termo de Credenciamento.
Excesso de Vouchers: Sobre usuários que excederam o limite de duas corridas diárias, a 99 atribuiu a falha a “discrepâncias pontuais” no processamento de dados em larga escala.
Limites Geográficos: Corridas registradas fora do perímetro de São Luís foram justificadas pela dinâmica de conurbação da região metropolitana, onde as áreas urbanas de municípios vizinhos são contínuas.
O contrato, firmado em 21 de fevereiro de 2025 com empenho de R$ 16.000.000,00, é alvo de críticas pela falta de transparência e pela natureza da operação. O histórico da crise remonta a falhas no diálogo com a categoria dos rodoviários, atrasos no pagamento de subsídios e descumprimento de decisões judiciais, fatores que levaram o sistema de transporte coletivo ao colapso e a sucessivas greves na capital.
O cenário torna-se ainda mais crítico quando comparado ao sistema convencional. Enquanto o subsídio aos rodoviários — que garante o transporte de aproximadamente 400 mil passageiros — girava em torno de R$ 5 milhões, o “paliativo” tecnológico de Braide para apenas 300 mil viagens gerou uma fatura de R$ 7,6 milhões.
Situação Atual: A nota de débito foi emitida em 07/04/2026, com previsão de pagamento para 09/04/2026. Até o momento, a Prefeitura de São Luís não se manifestou oficialmente sobre a quitação integral do valor ou sobre a aplicação de possíveis glosas (retenções financeiras).
Veja os documentos divulgados pelo Observatório da Blogosfera:

