
Enquanto o Diário Oficial do Município celebra cifras astronômicas — com suplementações que ultrapassam os R$ 117 milhões para a Educação — o teto da UEB Luís Viana resolveu não esperar pela burocracia e veio abaixo nesta terça-feira (24). A justificativa oficial da Semed beira o surrealismo: o culpado pelo desabamento seria o “desgaste natural” e, acreditem, a presença de pombos.
É curioso notar que, para uma gestão que movimenta milhões em “reforço de dotação”, a manutenção básica parece ter ficado em segundo plano. Isolar a área há 15 dias após identificar falhas estruturais não é prevenção, é apenas esperar pelo inevitável. Atribuir a queda do teto de um auditório à “vida útil da madeira” e a aves é admitir que a fiscalização das unidades escolares é tão frágil quanto o forro que desabou.

O desabamento de parte do auditório da UEB Luís Viana é o retrato de uma gestão que reage ao desastre em vez de evitá-lo. A nota da Semed, que minimiza o ocorrido alegando que o local “não impacta as aulas”, ignora o risco iminente a que estudantes e profissionais foram expostos.
Se a estrutura apresentava desgaste e estava isolada, por que a reforma urgente não foi priorizada antes que a gravidade fizesse o seu trabalho?
Agora, a educação de São Luís não precisa de notas explicativas sobre pombos; precisa que os milhões anunciados nos decretos n.º 62.344 e 62.350 cheguem de fato ao telhado das escolas antes que o próximo caia.

