São Luís caminha para 2ª greve do transporte em 2026 com frota reduzida e silêncio dos Poderes

Imagem gerada com IA

A população de São Luís pode enfrentar, mais uma vez, a paralisação do transporte público. O sistema de ônibus da Grande Ilha corre o risco de parar a partir da madrugada desta quinta-feira (12), caso as empresas não realizem o pagamento dos salários dos rodoviários com o reajuste determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A informação foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Rodoviários, Marcelo Brito.

Segundo o líder sindical, o desembargador Gerson de Oliveira já definiu o percentual de aumento salarial, mas as empresas ainda não depositaram os valores atualizados nas contas dos trabalhadores. Sem o pagamento, os ônibus não devem sair das garagens.

Durante entrevista ao programa Mirante News Hoje, da Rádio Mirante News FM, Marcelo Brito afirmou que a categoria não deseja prejudicar a população, mas cobra o cumprimento da decisão judicial.

“Não é isso que os rodoviários querem, mas é uma lei que existe para o trabalhador. Assim como existe a lei de ir e vir do direito das pessoas, existe a lei do trabalhador também, de receber aquilo que foi determinado”, declarou.

A ameaça de nova paralisação ocorre em meio a outro problema no sistema: a redução da frota de ônibus em circulação. O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de São Luís (SET) informou que fará uma readequação temporária na operação por causa da crise econômica no setor.

De acordo com o sindicato patronal (SET), o principal motivo é a alta no preço do combustível. A entidade afirma que o diesel sofreu um reajuste de cerca de 25% no mercado nacional apenas na última semana, cenário que, segundo as empresas, tornou inviável manter 100% da frota em circulação.

“O ajuste é necessário para garantir a sustentabilidade básica do serviço de transporte”, afirmou o SET em nota. O sindicato informou ainda que mantém diálogo emergencial com a Prefeitura de São Luís para buscar alternativas que evitem um colapso maior no sistema.

Até o momento, não foi detalhado quais linhas ou regiões serão mais afetadas pela redução.

Histórico de greves

A crise no transporte coletivo se arrasta há anos. Desde 2021, início da gestão do prefeito Eduardo Braide, a capital maranhense já registrou mais de dez paralisações ou ameaças de greve no sistema.

Somente em 2026, a cidade já enfrentou uma greve em fevereiro e agora volta a conviver com a possibilidade de nova interrupção.

A pergunta que volta ao debate público

Diante do cenário de instabilidade recorrente no transporte — serviço essencial para milhares de trabalhadores — surge novamente um questionamento político: onde está a mesma rapidez das instituições quando o problema atinge diretamente a mobilidade da população?

Recentemente, a Justiça autorizou a liberação de cerca de R$ 22 milhões para o carnaval de São Luís em menos de 24 horas, sob o argumento de urgência para a realização da festa.

Enquanto rodoviários cobram o cumprimento de decisão judicial, empresas alegam crise financeira e a prefeitura busca soluções emergenciais (como bancar aplicativos de transporte), milhares de usuários aguardam uma resposta concreta.

No fim, a pergunta que permanece é simples: se houve rapidez para garantir recursos para a festa, por que não há a mesma urgência para evitar mais uma greve no transporte público da capital maranhense?

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