
O ministro do Esporte, André Fufuca, passou a ser cotado nos bastidores para disputar o governo do Maranhão em meio ao racha entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. A movimentação surge como uma alternativa para contornar a disputa aberta entre o atual governador, Carlos Brandão (sem partido), e o vice-governador Felipe Camarão (PT), ambos integrantes da base lulista.
Segundo apurou o Metrópoles com pessoas a par das articulações, a ideia de lançar Fufuca teria partido do próprio presidente Lula como forma de buscar uma saída para o impasse entre os dois aliados. Apesar disso, o ministro já sinalizou a pessoas próximas que pretende disputar uma vaga no Senado em 2026.
Tanto Carlos Brandão quanto Felipe Camarão aguardam o apoio de Lula na sucessão estadual, o que tem dificultado a construção de um entendimento dentro da base governista. Nos bastidores, a avaliação é de que, sem um acordo entre os dois grupos em torno do nome de Fufuca, uma eventual candidatura do ministro tende a perder força e pode nem sair do papel.
A crise política teve início com a quebra de um acordo que previa a saída de Brandão do governo no primeiro semestre para disputar o Senado. Nesse cenário, Felipe Camarão assumiria o comando do Executivo estadual e se lançaria como sucessor natural. O plano, no entanto, foi abortado, e o governador passou a defender que permanecerá no cargo até o fim do mandato.
A decisão é interpretada como uma estratégia para impedir que o vice-governador utilize a estrutura administrativa do governo para se fortalecer eleitoralmente e inviabilizar o projeto de lançar Orleans Brandão, sobrinho do governador, como candidato à sucessão. Orleans é atualmente o nome mais cotado pelo grupo de Brandão para a disputa estadual.
Felipe Camarão é considerado um quadro estratégico do PT. Além de aliado próximo de Lula, ele é hoje o único vice-governador filiado ao partido em todo o país. Camarão integra o grupo político conhecido no Maranhão como dinistas, ligado ao ex-governador Flávio Dino, atualmente ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Carlos Brandão, que chegou ao governo com apoio desse grupo, se afastou dos dinistas ao longo do mandato.
Pessoas próximas ao governador afirmam que Brandão pretende concluir o mandato e trabalha para emplacar um nome de sua confiança na sucessão estadual. Segundo esses interlocutores, o governador nutre a expectativa de contar com o apoio de Lula e aguarda uma conversa direta com o presidente para tratar do cenário eleitoral no estado.
O impasse coloca o PT diante de um cenário complexo em um estado considerado estratégico para o partido. Em 2022, Lula venceu no Maranhão com 71,4% dos votos. A legenda terá de definir como se posicionar diante de uma disputa em que dois aliados diretos do presidente se colocam em campos distintos.
É nesse contexto que o nome de André Fufuca surge como possível “terceira via”. Interlocutores do governo afirmam que o ministro tem crescido na avaliação do presidente, especialmente após ser afastado do PP por decidir permanecer no governo Lula mesmo após o desembarque formal do partido da base governista. Também pesam a favor do ministro as manifestações públicas de apoio feitas ao presidente.
Aliados avaliam ainda que Fufuca teria a vantagem de dialogar com os dois grupos políticos do Maranhão, sendo visto como um nome capaz de agradar tanto aos dinistas quanto ao entorno do atual governador. Recentemente, o ministro esteve no estado e apareceu ao lado de Carlos Brandão durante o pré-carnaval do Maranhão.